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Juros descem na zona euro em fevereiro. Espanha foi exceção

No prazo de referência a 10 anos que continua a ser usado, juros dos títulos portugueses descem abaixo de 4%. Premio de risco sobe significativamente para Espanha e Grécia. Itália, França e Portugal lideram retorno negativo desde início do ano

Jorge Nascimento Rodrigues

Na Obrigação do Tesouro (OT) português que continua a ser usada como referência a 10 anos (a OT com vencimento em julho de 2026), os juros caíram em fevereiro no mercado secundário para menos de 4%. Fecharam o mês em 3,875%, depois de terem encerrado janeiro em 4,19%, o mês em que o Tesouro português realizou uma operação de sindicação de lançamento de uma nova linha a 10 anos com vencimento em abril de 2027 e onde pagou uma taxa de 4,227%.

No OT que vence em 2027 – que ainda não é considerada a referência a 10 anos pelas agências financeiras -, a yield registou um pico de 4,52% a 6 de fevereiro no mercado secundário.Fechou o mês em 4,19%, 29 pontos base abaixo do encerramento no final de janeiro (4,48%) e já abaixo da taxa paga pelo IGCP na operação sindicada de janeiro. As OT com prazos a 15 e 20 anos registaram yields acima de 4,5% e 4,6% respetivamente, no fecho de fevereiro, abaixo dos valores de encerramento no final de janeiro (4,7% e 4,9% respetivamente).

O movimento de descida em fevereiro foi generalizado na zona euro, com exceção de Espanha. As yields das Obrigações Espanholas a 10 anos subiram de 1,59% no final de janeiro para 1,73% no final de fevereiro, e registaram um pico do mês no dia 6 fechando em 1,79%. Os títulos alemães a 10 anos, que servem de referência na zona euro, viram as yields cair para metade, de 0,44% para 0,21% naquele período.

Os mercados da dívida parecem continuar a não interiorizar o risco de eventos disruptivos nas eleições legislativas de 15 de março na Holanda e nas duas rondas de eleições presidenciais em França a 23 de abril e 7 de maio. As yields das obrigações francesas a 10 anos desceram de 1,03% no final de janeiro para 0,89% no final de fevereiro. Apesar do risco de a França sair do euro ter subido de 5,7% para 8,4%, segundo o indicador Sentix. No caso das obrigações holandesas, as yields caíram de 0,58% para 0,33% no mesmo período.

As yields desceram, também, em fevereiro para as obrigações gregas a 10 anos. Apesar do marcar passo do fecho do segundo 'exame' ao terceiro resgate, a taxa caiu de 7,83% no final de janeiro para 7,25% no final de fevereiro. A Grécia continua a liderar no risco de saída do euro, com uma probabilidade de 19,2%, segundo o indicador Sentix. Mas, no mercado da dívida, continua a considerar-se que um entendimento entre Atenas e os credores oficiais europeus poderá ser atingido na reunião do Eurogrupo de 20 de março.

Se a Espanha se destacou na subida das yields, em contraste com o movimento geral de descida na zona euro, Espanha e Grécia registaram em fevereiro as maiores subidas do prémio de risco no seio da zona euro, logo seguidas pela Itália. Portugal viu o prémio de risco agravar-se ligeiramente situando-se, agora, em 367 pontos base – o que equivale a um diferencial de 3,67 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos.

Quanto ao retorno da dívida obrigacionista desde início do ano, a zona euro regista uma percentagem negativa, de -0,49% no final de fevereiro, muito longe da rentabilidade positiva para o conjunto da dívida das economias desenvolvidas (1,67%). As piores rentabilidades em 2017, na zona euro, verificam-se em Itália (-1,68%) e França (-1,56%), logo seguidas de Portugal (-1-1%). Em contraste, os retornos para as obrigações alemãs, belgas e holandesas passaram do terreno negativo para positivo. A rentabilidade mais elevada desde início do ano continua na dívida grega, registando 0,38%.

Custo da dívida emitida subiu para 3,6%

Portugal já financiou mais de 25% da dívida obrigacionista que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) prevê colocar em 2017 (entre 14 e 16 mil milhões de euros). Em janeiro, o IGCP colocou 3 mil milhões de euros na operação de sindicação já referida e em fevereiro realizou dois leilões de obrigações a 5 e 7 anos, tendo colocado 1,3 mil milhões de euros nas duas operações realizadas a 8 de fevereiro.

Com estas três operações, o custo da dívida emitida subiu de 2,5% em 2016 para 3,6% nos dois primeiros meses de 2017. As taxas pagas nas operações referidas foram de 4,227% na sindicação a 10 anos e de 2,753% e 3,668% nos leilões a 5 e 7 anos respetivamente.

Entretanto, em fevereiro, o Tesouro realizou um pagamento antecipado de 1,7 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional.