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Salários na China crescem para níveis próximos dos de Portugal

Lucília Monteiro

O custo de cada hora trabalhada na indústria chinesa subiu nos últimos anos, suplantando as remunerações em economias como o Brasil e o México e aproximando-se do custo do trabalho industrial em Portugal, segundo um estudo divulgado pelo “Financial Times”

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Há dez anos o então ministro da Economia, Manuel Pinho, levantou uma onda de protestos ao afirmar, num fórum na China, que uma das vantagens competitivas da economia portuguesa eram os baixos salários, no contexto europeu. Desde então muito mudou na economia global. Muitos empresários nacionais lamentam os custos de contexto da economia portuguesa, incluindo o custo do trabalho. Mas a desvantagem face aos índices remuneratórios de potências como a China é cada vez mais ténue.

Um estudo da consultora Euromonitor citado pelo “Financial Times” nota que entre 2005 e 2016 o custo de cada hora de trabalho na indústria na China disparou de 1,2 para 3,6 dólares (a preços constantes), enquanto no mesmo período o custo do trabalho na indústria em Portugal caiu de 6,3 dólares por hora para 4,5 dólares por hora.

Segundo a mesma fonte, a subida das remunerações na China colocou esta economia em situação de desvantagem (no que respeita ao custo do trabalho) face ao Brasil, à Argentina e ao México, onde o salário por hora na indústria não chega aos 3 dólares.

“É notável como a China evoluiu comparativamente aos restantes países. Está a convergir com o Ocidente, enquanto outros mercados emergentes não o conseguem”, declarou ao “Financial Times” Charles Robertson, economista-chefe do banco de investimento Renaissance Capital.

Os dados da Euromonitor, que colocam os salários da indústria em Portugal apenas 25% acima dos verificados na China, partiram do tratamento de informação da Organização Internacional do Trabalho (OMT) e de organismos como o Eurostat, fazendo o câmbio para a mesma moeda (dólar norte-americano).

Em Portugal o mais recente relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) indica que no sector industrial o índice do custo de trabalho teve um ligeiro decréscimo de 0,1% no quarto trimestre de 2016 face ao mesmo período do ano anterior, sendo que os custos salariais mantiveram-se inalterados, mas os restantes custos do trabalho (indemnizações, contribuições para a Segurança Social, seguros, entre outras rubricas) baixaram 0,5%. No total de 2016 o índice de custos do trabalho na indústria portuguesa subiu 0,9% face a 2015.

De acordo com o INE, o número de horas efetivamente trabalhadas por cada trabalhador na indústria aumentou 2,6% no quarto trimestre em termos homólogos.