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Foram mais olhos que barragens

Construção da Barragem da Iberdrola

Rui Duarte Silva

Lançado há uma década, o plano nacional de barragens não se concretizou como previsto pelo Governo Sócrates

A cada rebentamento de explosivos avança-se três metros nos túneis que estão a ser escavados para a futura barragem de Gouvães. “Para já temos tudo mais ou menos controlado”, conta Andres García, engenheiro de minas espanhol que chefia a obra que a Iberdrola tem em curso junto ao rio Tâmega. Os trabalhos nas galerias avançam em três turnos diários, cada um com 25 homens ao serviço. Mas o que leva uma companhia como a Iberdrola a ‘enterrar’ no Tâmega um investimento de €1500 milhões? A verdade é que a elétrica espanhola não o faria se o projeto não fosse rentável. E sê-lo-á porque, ao longo dos 70 anos de concessão, a empresa terá muito tempo para ganhar dinheiro com a flutuação de preços no mercado elétrico, graças ao armazenamento de água na futura albufeira de Gouvães.

O coração do sistema eletroprodutor do Tâmega é o sistema de bombagem de Gouvães. Com a turbinagem convencional da água, a central poderá produzir eletricidade quando ela é mais cara. Com a bombagem em período de vazio, quando a eletricidade é mais barata, a central irá buscar de volta a água à albufeira da barragem de Daivões. Do ponto de vista energético, a Iberdrola poderá até ter, em termos líquidos, uma produção nula ou negativa de eletricidade em Gouvães. Do ponto de vista financeiro, a repetição dos ciclos de turbinagem e bombagem permitirá ganhos económicos que pagarão o avultado investimento no distrito de Vila Real.

Além de Gouvães, com 880 megawatts (MW) de potência, a Iberdrola terá a central do Alto Tâmega (160 MW) e, dez quilómetros abaixo, a de Daivões (118 MW). As três custarão €1200 milhões, a somar ao cheque de €303 milhões que a Iberdrola já passou ao Estado português em 2008 como contrapartida pela concessão das centrais.

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