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Elétricas vão cobrar energia carregada em postos públicos

Até ao final de 2017, os carregamentos nos postos públicos passam a ser pagos

Rui Duarte Silva

Acabam cargas gratuitas de baterias de carros na rede pública. Elétricas entram no mercado em 2017 com tarifas livres

“Este ano acabam os carregamentos gratuitos de baterias de automóveis elétricos na rede pública, passando a ser cobrados pelas empresas comercializadoras de eletricidade”, referiu ao Expresso o presidente da plataforma tecnológica Mobi.e, Alexandre Videira. Desde 2010 — altura em que foi instalado em Portugal o primeiro posto público de carregamento de baterias — “até ao final de janeiro de 2017 foram efetuados 220 mil carregamentos na rede pública, dos quais 97 mil ocorreram em 2016”, diz o responsável da Mobi.e.

Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, o preço desta eletricidade não é regulado e será negociado pelos comercializadores com os clientes, dentro dos valores praticados no mercado. Além disso, o preço da eletricidade não terá qualquer imposto de mobilidade associado, ao contrário do que acontece com o preço de venda da gasolina e do gasóleo.

“Enquanto estivermos a promover a aceleração da transição para uma mobilidade cada vez mais elétrica (sustentável), não prevemos aplicar impostos sobre a eletricidade destinada à mobilidade”, referiu, por seu turno, o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, garantindo que um imposto sobre a eletricidade para carros “não é, de todo, algo que esteja na agenda”.

Comparativamente aos automóveis com motores a gasóleo (que consomem menos que os carros a gasolina), o gasto de eletricidade dos veículos elétricos permite poupar muito dinheiro por mês. Tendo como exemplo o Renault Zoe, que foi o terceiro veículo elétrico mais vendido em Portugal em 2016 — com 170 unidades vendidas —, o custo de carregar a sua bateria de 41 kW pela tarifa doméstica normal (que é de €0,1556 por kW) é de €6,37, o que teoricamente dá para percorrer 400 quilómetros.

Assumindo que o Renault Clio equivalente com motor a gasóleo gasta cerca de 5 litros a cada 100 quilómetros, serão precisos 20 litros de gasóleo para percorrer os mesmos 400 quilómetros, o que corresponde a um custo de €26 (para um preço de venda ao público do litro de gasóleo de €1,3).

Mais barato 
em tarifa bi-horária

Mas segundo Alexandre Videira, o mais normal é que os proprietários das viaturas elétricas façam o carregamento em casa, durante a noite, beneficiando da tarifa bi-horária. Assim, o custo por kW desce para €0,092 e uma bateria de 41 kW totalmente carregada fica por €3,77. Ou seja: a rede nacional de postos de carregamento tem sido gerida pela Mobi.e, mas a partir de 2017 este mercado passa a ser operado pelas elétricas. É por isso que os cartões de carregamento da Mobi.e, que garantem o acesso à carga de energia, vão ser substituídos por novos cartões associados a um Comercializador de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME).

O secretário de Estado explicou que “todos os operadores com postos de carregamento instalados em domínios de acesso público estarão incluídos neste mercado”, revelando que, “neste momento, estão registados seis operadores com postos de carregamento instalados em domínio público”.

Antes de dar início à fase comercial da rede pública de postos de abastecimento, ainda serão instalados 202 novos postos de carga intermédia — cada posto destes dispõe de dois pontos de carregamento, num total de 404 pontos — assim que Portugal obtenha luz verde de Bruxelas que viabilize os respetivos auxílios de Estado para concretizar este investimento. “Com estes 202 postos, todo o território continental ficará coberto, pois todos os concelhos passam a ter pelo menos um posto de carregamento público”, explicou Alexandre Videira.

Além disso, a atual rede de 1280 pontos de carregamento público será objeto de intervenções para ficar operacional e atualizada na sua totalidade. “A potência disponível nos 100 pontos de carregamento mais utilizados durante o período diurno vai ser aumentada dos atuais 3,6 kW para os 22 kW, o que permitirá carregar a bateria de um carro normal em cerca de uma hora”, adianta o presidente da Mobi.e.
O resto da rede pública também será objeto de intervenções, pois “cerca de 25% dos pontos de carga não estão a funcionar normalmente”, diz o responsável. “Serão investidos cerca de €2 milhões para termos toda a rede devidamente operacional e atualizada, com aumento de potên-
cia nos pontos mais utilizados”, diz Alexandre Videira.

Mesmo assim, num pequeno mercado onde só foram vendidos 2042 veículos elétricos ligeiros de passageiros entre 2010 e o final de 2016, foi fornecido um total de 1,46 GWhora de energia à rede pública.

“Só em 2016 foram fornecidos 750 MWhora, o que corresponde a cerca de metade da energia total fornecida à rede pública entre 2010 e 2016”, refere Alexandre Videira.

MOBILIDADE ELÉTRICA DISPARA

  • Rede pública tem 1280 pontos de carregamento, dos quais 100 pontos vão ter reforço de capacidade. 
Será aumentada em breve com mais 404 pontos
  • Em 2016 foram vendidos 
em Portugal 756 veículos elétricos ligeiros 
de passageiros e mais 
57 comerciais ligeiros, elevando para 2219 
os veículos elétricos vendidos em Portugal desde 2010. 
O Nissan Leaf é o 
mais vendido no mercado nacional, com um total 
de 759 unidades, seguindo-se o Renault Zoe com 379 unidades e o BMW i3 
com 370
  • Repsol e EDP instalaram carregadores elétricos rápidos com 50 kVA na A1, nas estações de serviço Repsol de Antuã e Leiria, 
em ambos os sentidos, 
que carregam 80% 
de uma bateria 
em 20 minutos
  • A tecnologia 
de carregamento evoluiu muito em sete anos 
e a Nissan já dispõe 
do sistema de ligação 
de veículo para a rede (V2G) que permite armazenar energia nas principais instalações da Nissan 
na Europa