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Constâncio defende ‘bancos maus’ para resolver malparado

Nova comissão de inquérito deveria apurar cabalmente se houve ou não entendimento prévio entre Mário Centeno (na foto) e António Domingues

Luis Barra

BCE estima que bancos portugueses podem ganhar €700 milhões com solução

A resolução do problema do crédito malparado pode melhorar a rentabilidade da banca portuguesa em cinco pontos percentuais. Os cálculos são do Banco Central Europeu (BCE) e foram apresentados por Vítor Constâncio no final da semana passada numa conferência em Bruxelas. Nesse encontro promovido pelo think tank belga Bruegel sobre os chamados non-performing loans (NPL), a denominação técnica destes ativos problemáticos, o vice-presidente do BCE insistiu nas vantagens de lidar com o problema, nomeadamente através da criação de empresas para os gerir — conhecidos como ‘bancos maus’.

A conferência decorreu à porta fechada mas o discurso de Constâncio foi divulgado pelo BCE. Nele, o banqueiro central português admite que gostaria de ter uma entidade a nível europeu para lidar com problema — “seria bem-vinda” — mas reconhece que no atual contexto pode ser difícil. Defende, por isso, que deve haver, no mínimo, uma abordagem semelhante nos vários países. Até porque os NPL são um problema transversal e até foram “designados uma das principais prioridades do Mecanismo Único de Supervisão”. A intervenção de Constâncio surgiu poucos dias depois de Andrea Enria, presidente da Autoridade Bancária Europeia (EBA), ter defendido uma solução europeia para os NPL. Por cá, o tema do malparado marcou também a apresentação do Economic Survey da OCDE sobre Portugal. O ministro das Finanças, Mário Centeno, confrontado com as recomendações da OCDE para o problema — que incluem, entre outras coisas, a criação de sociedades de gestão destes ativos — garantiu que iria ser apresentada uma solução em breve sem custos para aos contribuintes. Mesmo que, como já foi avançado, a intervenção do Estado passe apenas pela concessão de garantias isso não garante que fique de fora do défice nem que não tenha custos para os contribuintes.

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