Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Sucursal do BPI em França dispensa 50 trabalhadores

nuno fox

O BPI, que agora é 84,5% do catalão CaixaBank, pretende dispensar 900 trabalhadores em três anos. Líder do CaixaBank diz que número é “apenas indicativo”

Mais de 50 trabalhadores da sucursal do BPI em França vão sair do banco até final de março, na sequência do encerramento de sete agências no país. No final de janeiro, o BPI encerrou definitivamente as agências da sucursal de França localizadas em Argenteuil, Boulogne, Champigny, Drancy, Melun, Saint Germain e Villejuif, mantendo em funcionamento apenas a agência sede, em Paris, e a agência de Lyon.

Este emagrecimento da rede comercial vai ser acompanhado pela saída de mais de 50 trabalhadores. Segundo confirmaram à Lusa fontes sindicais, nos últimos meses, o BPI esteve a negociar com os sindicatos franceses as condições financeiras de saída destes trabalhadores com supervisão das autoridades laborais francesas. Uma parte dos funcionários sairá definitivamente do BPI já no final deste mês e os restantes em fim de março. Há ainda dois trabalhadores que pertencem aos quadros do BPI em Portugal que estavam deslocados em França e que voltarão aos seus lugares de origem.

Estes encerramentos acontecem numa altura em que o BPI passa a ser dominado (84,5%) pelo catalão CaixaBank. De acordo com o prospeto da operação pública de aquisição (OPA) do CaixaBank ao banco português, o novo dono do banco admitia vir a reduzir o quadro do pessoal em 900 trabalhadores. Esta quarta-feira, na conferência de impresa que apresentou os resultados da OPA, Gonzalo Gortázar, o presidente executivo da instituição catalã, afirmou que "se trata de um número apenas indicativo. Não prevemos uma alteração da política seguida pelo BPI nos últimos anos". O gestor transmitiu calma aos trabalhadores do BPI: "Não antecipamos despedimentos coletivos e as rescisões serão sempre por mútuo acordo", declarou. Já antes, Fernando Ulrich (que passa agora a presidente não executivo do BPI) afirmara que reduzir 900 trabalhadores ao longo de três anos é um esforço equivalente àquele que o banco tem feito nos últimos exercícios.

De facto, o BPI tem vindo, nos últimos anos, a reduzir o número de trabalhadores. Aliás, o emagrecimento de estruturas tem sido comum aos principais bancos que operam em Portugal, numa tentativa de melhorarem os seus resultados. Só em 2016 saíram do banco 392 trabalhadores em Portugal, um número que "exclui trabalho temporário". Em termos de custos, o BPI gastou com pessoal 289,4 milhões de euros, menos 1,5% face a 2015. Contudo, este valor não inclui os custos que o banco teve com reformas antecipadas, de 59,7 milhões de euros, mas também não se consideram as poupanças decorrentes da revisão do Acordo Coletivo de Trabalho do setor bancário, de 42,9 milhões de euros.

No total da atividade doméstica e internacional, o Grupo BPI tinha, no final de 2016, 8.157 trabalhadores, menos 372 funcionários, o que significava que na atividade fora de Portugal o banco tinha contratado 20 pessoas em termos líquidos. O Grupo BPI teve lucros de 313,2 milhões de euros em 2016, mais 32,5% do que em 2015, mais de metade referentes à atividade internacional, sobretudo ao Banco de Fomento de Angola (BFA).