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Navigator vai avançar com investimentos de mais de €200 milhões entre Cacia e Figueira da Foz

121 milhões de euros são aplicados numa nova linha de produção de papel tissue, utilizado em papel higiénico, lenços de papel e papel de cozinha, apontado como um dos motores da procura global de pasta

A The Navigator Company, antiga Portucel, vai investir 206 milhões de euros, divididos entre as suas fábricas de Cacia e da Figueira da Foz. apesar de ver "com preocupação, a intenção do Governo em fazer aprovar, no âmbito da reforma da legislação que regula o sector florestal", uma lei que proíbe plantação de novas áreas de eucalipto.

No caso de Cacia, está em causa uma linha de produção de papel tissue, para papel higiénico, lenços de papel e papel de cozinha, e respectiva transformação em produto final, com uma capacidade nominal de 70 mil toneladas por ano e um investimento global de € 121 milhões, a concluir na segunda metade de 2018. O projeto, anunciado no final de 2015, estava condicionado "à concretização de um conjunto de factores, nomeadamente a obtenção de um pacote de incentivos fiscais e financeiros, que, neste momento, já se encontram finalizados", anuncia a empresa em comunicado enviado à CMVM com os resultados de 2016.

É um segmento que a empresa identifica como " um dos principais drivers da procura global de pasta, estimando-se um crescimento anual de produção de cerca de 1 milhão de toneladas por ano". "Na Europa, o crescimento do consumo de tissue estimado para 2016 é de 2,2%", acrescenta.

Na Figueira da Foz, a empresa quer desenvolver um projecto para aumentar a eficiência produtiva e a competitividade do seu centro fabril, com um investimento de € 85 milhões, tendo o Grupo apresentado uma candidatura a um conjunto de incentivos financeiros e fiscais, ainda pendente de apreciação pelo AICEP. Quando avançar, trará um ganho de capacidade de 70 mil toneladas, para uma produção total de 650 mil toneladas de pasta BEKP.

Sobre a intenção do governo permitir apenas plantação de novas áreas por trocas com plantações de eucalipto já existentes em zonas marginais e de baixo rendimento, a administração da The Navigator Company afirma que a proposta "carece de qualquer fundamento técnico e ambiental", não considera a importância do eucaplipto para a economia nacional e "irá provocar dificuldades acrescidas num sector onde já existe um desiquilíbrio entre a oferta e a procura, e que atualmente já importa cerca de 200 milhões de euros de madeira por ano".

Em 2016, a empresa liderada por Diogo da Silveira teve um crescimento de 10,7% nos lucros, para os 217,5 milhões de euros. O volume de negócios caiu 3,1%, para 1,5 mil milhões de euros, mas o EBITDA crescer 1,9%, para 397,4 milhões.

A empresa registou uma melhoria dos resultados financeiros, que passaram de -50,3 milhões para -20,8 milhões, beneficiando do "profundo processo de restruturação do endividamento", que "passou pelo reembolso e renegociação de condições e prazos da dívida existentes e pela contratação de novas linhas de financiamento".

No final de 2016, a dívida líquida era de 640,7 milhões de euros, o que representa uma redução de 13,8 milhões de euros.

Um dos destaques da empresa no último exercício foi o recorde de vendas de 1.587 mil toneladas. O "forte desempenho operacional permite atenuar evolução negativa dos preços, com crescimento de 2% no volume de vendas de papel, 15% nas vendas de pasta e 30% no tissue", refere o comunicado.