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Portugal está entre os líderes talento

O país figura na 31ª posição da lista de 118 geografias com melhor índice de talento do mundo. Os resultados do Global Talent Competitiveness Index 2017, realizado pela consultora Adecco em parceria com o INSEAD e o Human Capital Ledearship Institute, são hoje conhecidos

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Portugal caiu uma posição na tabela das 40 geografias com melhor índice de talento face a 2016, mas continua a figurar entre a elite de países onde o talento é um bem a preservar e a reter. O país ocupa a 31ª posição, entre 118 países analisados, no Global Talent Competitiveness Index 2017 (GTCI 2017), o estudo realizado pela Adecco, o INSEAD e o Human Capital Leadership Institute, focado na resolução de questões relacionadas com a competitividade no mundo do trabalho. Curiosamente, e apesar da reconhecida competência técnica que os profissionais portugueses têm no estrangeiro, é no parâmetro “competência profissional e técnica” que o país pontua menos.

Em 2017, à semelhança do que tem sucedido em anos anteriores, os países europeus continuam a figurar na liderança do ranking, com a Suíça na primeira posição da tabela. Porém, este ano, entre as dez primeiras posições estão também países não europeus. Singapura figura na 2ª posição, Estados Unidos na 4ª e a Austrália na 6ª. Na essência, referem as conclusões do estudo, “são países que desenvolvem a sua economia no sentido de se tornarem mais atrativos ao nível da taxa de empregabilidade”.
Tal como Portugal. O país está na 31ª posição da tabela, entre 118 nações, com uma avaliação de 55,40 pontos. Para alcançar este resultado, o GTCI avalia as dinâmicas de gestão de talento dos países, com base em seis competências-âncora: novas oportunidades geradas, atratividade do mercado laboral, habilidades globais de crescimento, conhecimentos globais, taxa de retenção e competência profissional e técnica. É ao nível da taxa de retenção que Portugal apresenta os melhores resultados, figurando na 22ª posição entre os países analisados. A atratividade do mercado e as habilidades globais de crescimento registam também uma boa dinâmica, colocando o país na 27ª posição. Já o nível da competência profissional e técnica é a pior marca do país. Portugal é empurrado para a 50ª posição nesta matéria, o que significa que “o panorama dos trabalhadores deve ser trabalhado de forma a melhorar a este nível”, aconselha o estudo.


Talento e tecnologia: o desafio do futuro

O índice foca a capacidade dos países gerirem o talento através da atração, crescimento e retenção. O objetivo, explica Carla Rebelo, diretora-geral da Adecco Portugal, é fornecer dados que ajudem a desenvolver estratégias no âmbito do talento, a superar desajustes e a ser competitivo no mercado global. A edição deste ano do CTGI centra-se no talento e na tecnologia. “Contrariamente a algumas das previsões sobre ‘um futuro sem emprego’, as análises e os capítulos presentes no relatório deste ano indicam que as pessoas, as máquinas e os algoritmos se encontram em sintonia para criar um futuro laboral onde são dependentes e adquirem novas competências”, clarifica Carla Rebelo.

O estudo aponta as políticas de emprego e a educação como desafios políticos associados ao desenvolvimento de talento, já que refletem as mudanças emergentes nas organizações, os modelos de trabalho e as capacidades da economia do século XXI. Ao nível das competências tecnológicas, demonstra o estudo, “a posição de Portugal é pouco favorável, embora esteja em desenvolvimento”. O estudo reconhece que empresas e o próprio sistema de ensino estão em continuo desenvolvimento nesta matéria, mas reforça a relevância da preparação do sistema educacional, nomeadamente ao nível da utilização da tecnologia para fins educacionais, promoção da aprendizagem ao longo da vida e adequação do ensino às necessidades da economia e das empresas.