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Gonzalo Gortázar: “Queremos fazer parte do futuro de Portugal”

Luis Barra

Gortázar acredita que o CaixaBank e o Banco BPI são “duas entidades que se complementam perfeitamente”, com o grupo financeiro espanhol a dar maior “dimensão” ao banco português

O presidente do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, manifestou esta quarta-feira a sua satisfação com o resultado da OPA lançada sobre o Banco BPI, garantindo que o grupo financeiro espanhol está comprometido com o mercado português e acredita no potencial do país.

"Estamos satisfeitos por ter concluído a OPA [Oferta Pública de Aquisição] com sucesso e com um nível de aceitação elevado. Isto indica que há muitos acionistas satisfeitos com a oferta. A minha saudação é para os acionistas, quer os que ficaram, quer os que venderam", afirmou o responsável numa conferência de imprensa em Lisboa.

Segundo Gortázar, o CaixaBank e o Banco BPI são "duas entidades que se complementam perfeitamente", com o grupo financeiro espanhol a dar maior "dimensão" ao banco português.

O líder do CaixaBank realçou que a instituição detém a maior quota de mercado em Espanha (29,5%) e que tem 'ratings' mais elevados do que o BPI, pelo que o banco português vai beneficiar também nesse capítulo a breve prazo.

"O BPI é uma entidade bem gerida e sólida e esta operação traduz um reforço da aposta [do CaixaBank] em Portugal. Acreditamos que Portugal é um país com muito potencial e queremos fazer parte do futuro de Portugal", realçou, vincando que o controlo que a entidade espanhola passou a ter do banco (ainda) liderado por Fernando Ulrich a coloca como "um grande 'player'" no mercado português.

"É a primeira vez que o Caixa Bank adquire o controlo de uma entidade não-doméstica de primeira linha. Para o BPI, isso vai traduzir-se numa melhoria de solvência, 'ratings' e o acesso a financiamento em melhores condições", salientou.
Gortázar deixou ainda uma palavra de confiança em Pablo Forero, responsável espanhol que vai substituir Fernando Ulrich na liderança executiva do BPI.

"Pablo Forero tem todas as qualidades para liderar este grande banco", considerou, assegurando que pelo facto de ter sido escolhido um gestor espanhol para a nova 'vida' do BPI, não significa que a entidade não se mantenha como um banco português.

"Está previsto manter o BPI como banco português, com sede em Portugal e com centro de decisão em Portugal. Este é um modelo que encaixa bem com a política de descentralização do CaixaBank", sublinhou.

"O nosso maior acionista, a La Caixa, a maior fundação da Europa, também tem boas relações com Portugal. O CaixaBank partilha com o seu acionista uma consciência social que poucos bancos possuem", frisou o gestor, que fez questão de elogiar o trabalho da atual equipa de gestão.

"Aproveito para agradecer a Fernando Ulrich pela sua dedicação e lealdade a esta instituição há 34 anos. Sem a sua contribuição, não estaríamos quarta-feira a falar de um BPI tão robusto. E também quero agradecer ao fundador Artur Santos Silva, por manter a prudência e o bom senso durante as etapas difíceis que o banco atravessou", lançou.

E reforçou: "Este banco não seria o que é se não tivesse os melhores gestores do mercado. Agora queremos dar estabilidade ao BPI e confiança aos seus clientes. Queremos que o BPI continue a ser o banco de referência que tem sido até quarta-feira e fortalecer a sua robustez financeira".