Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Criação de emprego explica 91% da redução do desemprego

marcos borga

O contributo da criação de emprego líquida para a redução da população desempregada está a aumentar desde 2014

Foram nove em cada 10. É esse o contributo do aumento do emprego para a redução do desemprego no quarto trimestre de 2016. Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quarta-feira, não deixam margem para dúvidas. Nos últimos três meses do ano passado, a população empregada em Portugal aumentou em 82,1 mil pessoas, em comparação com o mesmo período de 2015. Já a redução da população desempregada foi de 90,7 mil pessoas. Contas feitas, a criação de emprego líquida explicou 90,5% da redução do desemprego.

O peso do aumento do emprego na redução do desemprego foi determinante. Mas, nem sempre foi assim. Após o ano negro de 2013, quando no auge da crise económica o desemprego em Portugal ultrapassou os 17%, o desemprego começou a descer, mas a criação de emprego líquida explicava apenas uma parcela dessa redução. Em 2014, em termos médios anuais, o aumento do emprego explicou pouco mais de metade (54,3%) da redução da população desempregada. O resto ficou a dever-se a desempregados que “desapareceram” das estatísticas do INE, seja por terem emigrado e saído do país, seja por terem deixado de procurar ativamente um posto de trabalho, passando a ser classificados como inativos. Mais ainda, muito do emprego criado nessa altura resultava de programas de estágio e de apoio ao emprego, desenvolvidos pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Desde então, a situação tem vindo a mudar. Para melhor. Os números médios anuais do INE mostram que o contributo da criação de emprego líquida para a redução da população desempregada tem vindo a aumentar, atingindo 61,9% em 2015 e 76,9% em 2016.

Taxa de desemprego fecha 2016 nos 10,5%

Os dados do INE mostram que a taxa de desemprego em Portugal ficou nos 10,5% no quarto trimestre de 2016 (valor não ajustado de sazonalidade). Este número “manteve-se inalterado face ao trimestre anterior e é inferior em 1,7 pontos percentuais ao do trimestre homólogo de 2015”, destaca o Instituto.

Já em termos de média anual, a taxa de desemprego ficou nos 11,1% em 2016. Um valor que “representa uma diminuição de 1,3 pontos percentuais em relação a 2015”. Mais ainda, este número é inferior à previsão do Governo de 11,2%, que tinha sido inscrita em Outubro no Orçamento do Estado para 2017. No início do ano, no Orçamento do Estado para 2016, o Executivo de António Costa apontava para uma taxa de desemprego em 2016 de 11,3%.

Quanto à taxa de desemprego dos jovens (dos 15 anos aos 24 anos) situou-se em 28% em termos médios anuais em 2016, um valor 4 pontos percentuais abaixo do ano anterior. Mas, que significa que 101,8 mil jovens se encontravam ativamente à procura de emprego, sem conseguir encontrar.

A população desempregada foi estimada pelo INE em 543,2 mil pessoas no quarto trimestre, o que traduz uma diminuição de 1,2% face aos três anteriores (menos 6,3 mil pessoas) e uma redução de 14,3% em termos homólogos, isto é, em relação ao quarto trimestre de 2015 (menos 90,7 mil pessoas).

Já a população empregada foi estimada em 4643,6 mil pessoas no quarto trimestre de 2016, registando um decréscimo de 0,4% em relação aos três meses anteriores (menos 17,9 mil pessoas) e um aumento de 1,8% em termos homólogos (mais 82,1 mil empregos em termos líquidos).

Considerando de novo os valores médios anuais, a população desempregada foi estimada pelo INE em 573 mil pessoas em 2016, menos 11,4% do que no ano anterior (menos 73,5 mil pessoas). Aqui, destaca-se o desemprego de longa duração, que continuou muito elevado. A proporção de desempregados à procura de emprego há pelo menos 12 meses foi de 62,1%. Ou seja, 355,6 mil pessoas. Mesmo assim, esta proporção diminuiu 1,5 pontos percentuais em relação a 2015.

Serviços com maior aumento do emprego

Sem surpresas, os serviços são o sector com maior aumento do emprego no quarto trimestre de 2016, por comparação com o mesmo período de 2015. Foram mais 52,9 mil postos de trabalho em termos líquidos. Aqui, destacam-se a área da logística (transportes e armazenagem) e as atividades de informação e comunicação, com mais 36,9 mil empregos. As atividades financeiras, de seguro e imobiliárias contribuíram com 22,1 mil postos de trabalho para o aumento do emprego.

Também a indústria, construção, energia e água registaram um aumento relevante no emprego, com mais 45,6 mil pessoas empregadas. Nestes sectores, o INE destaca as indústrias transformadoras e a construção, com um aumento do emprego em 18,8 mil pessoas e 19 mil pessoas, respetivamente. Depois da forte crise no sector, a construção está a recuperar emprego.

Em sentido contrário, o emprego na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca encolheu em 16,4 mil pessoas. Na Administração Pública e defesa; segurança social obrigatória; educação; e atividades de saúde e apoio social a redução foi de 5,8 mil empregos. Já o comércio; reparação de veículos; e alojamento e restauração primaram pela estabilidade do emprego, com um ligeiro aumento, em conjunto, de 700 pessoas.

Quase 124 mil jovens “nem-nem”

É um dos números mais preocupantes sobre os jovens portugueses. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que no quarto trimestre de 2016 havia 123,8 mil jovens, dos 15 anos aos 34 anos, em Portugal que nem estudavam, nem trabalhavam, nem procuravam emprego. Ou seja, 42% dos jovens conhecidos como “nem-nem” estavam em inatividade. Os restantes 58% dos jovens nesta faixa etária que não estavam empregados, nem estavam em educação ou formação eram classificados pelo INE como desempregados, ou seja, procuravam ativamente um posto de trabalho e estavam disponíveis para trabalhar.

O Expresso já tinha chamado a atenção para este problema em novembro do ano passado. Na altura, os dados do terceiro trimestre de 2016 mostravam que havia 136,3 mil jovens que nem estudavam, nem trabalhavam, nem procuravam emprego. Um número que significava que a proporção de inativos entre os jovens “nem-nem” atingia 45,2%.

Desde então, os números baixaram. Contudo, permanecem acima dos registados no terceiro trimestre de 2015, quando 114,6 mil jovens dos 15 anos aos 34 anos nem estudavam, nem trabalhavam, nem procuravam emprego. Nessa altura, a proporção de inativos entre os jovens “nem-nem” ficava pelos 36,7%.

  • Taxa de desemprego fecha 2016 nos 10,5%

    Valor estimado pelo Instituto Nacional de Estatística para o quarto trimestre fica inalterado em relação aos três meses anteriores. Em termos de média anual, a taxa de desemprego ficou nos 11,1% em 2016