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Violas vende BPI na OPA mas pode processar CMVM

O grupo Violas vai vender a maior parte da sua posição no Banco BPI na Oferta Pública de Aquisição lançada pelo CaixaBank. Em paralelo, estuda processar o regulador por ter autorizado uma oferta não equitativa para todos os acionistas

O grupo Violas vai vender a maior parte da sua posição no BPI na Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo espanhol CaixaBank mas estuda processar o regulador por ter autorizado uma OPA não equitativa para todos os acionistas do banco.

Esta terça-feira termina o prazo da OPA do CaixaBank sobre a totalidade das ações do BPI. O espanhol detém 45,5% do BPI, a Santoro Finance 18,576%, a Allianz 8,425% e a Violas Ferreira Financial 2,681%.

“Vamos ficar apenas com 10 mil ações do BPI para podermos ter o estatuto de acionista”, confirmou ao Expresso Tiago Violas, administrador da holding Violas Ferreira Financial. O "Jornal de Negócios" tinha avançado com a notícia da venda no seu site, ao início da tarde desta terça-feira.

Mas o grupo não se conforma com o desfecho desta Oferta, que considera que favoreceu um acionista, Isabel dos Santos, que acabou por ficar com o controlo do Banco de Fomento Angola (BFA) para depois permitir a desblindagem dos votos no BPI, que, por sua vez, abriu passagem à OPA obrigatória por parte do CaixaBank.

“Ponderamos avançar com um processo contra o regulador (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) por ter autorizado uma Oferta que não é equitativa para todos os acionistas”, afirmou. A análise está “bastante avançada”.

“Achamos que todos entendem que o segundo maior acionista do BPI, a Santoro, através da Unitel, teve condições que os outros acionistas não tiveram”, refere Tiago Violas. “Ao receber o controlo do BFA permitiu a desblindagem dos votos”, adianta.

O Banco BPI anunciou a 7 de outubro de 2016 a decisão de venda de 2% do BFA à Unitel, que passou a deter 51,9% do banco contra 48,1% detidos pelo BPI.

Para Tiago Violas, “havia alternativas melhores para o banco do que a entrega do controlo do BFA a Isabel dos Santos”. “A solução alternativa de uma fusão entre a Caixa Angola e o BFA seria mais benéfica. Mas não tínhamos peso (no BPI) para que avançasse”, afirmou.

OPA deverá ter sucesso

Os analistas anteveem que a Oferta sobre a totalidade das ações do BPI deverá ter sucesso. As ações do banco seguem a negociar em Bolsa abaixo da contrapartida oferecida de 1,134 euros por ação.

As ações do BPI fecharam a subir 1,63% para 1,124 euros.

“Hoje termina o prazo para a aceitação da proposta da OPA ao BPI por parte do CaixaBank, esperando-se grande sucesso na operação dado que o preço oferecido pelo banco espanhol de 1,134 euros por ação se encontra acima da atual cotação”, diz Henrique Dias, gestor da corretora XTB.

“A contribuir para o potencial sucesso estarão os riscos inerentes a manter o título, esperando-se uma diminuição da liquidez dado que estarão muito menos ações em circulação, ficando assim o ativo bastante refém das oscilações especulativas”, refere.

Tiago Violas também aponta que “a tendência da cotação das ações do BPI no futuro será de queda, já que irão ficar com uma liquidez muito reduzida”.

Para João Queiroz, diretor de negociação do Banco Carregosa, "a desvalorização da cotação do BPI poderá corresponder a um normal reajuste de expectativas do mercado após o final de uma oferta".

"Atendendo a que se trata de uma pequena capitalização, é natural agora que o mercado procure um preço de equilíbrio", afirma. Frisa que "o título vem de um cenário em que havia uma cotação firme de compra para voltar a negociar de acordo com as perspetivas de receitas e resultados futuros: o BPI deixa de consolidar resultados com o BFA, não está imune ao risco soberano Portugal e aos efeitos da resolução do Novo Banco", entre outros. Lembra ainda que "o preço da oferta inicial está próximo da atual cotação a 1,113 euros por ação".

O valor global da atual Oferta é de 900,4 milhões de euros, segundo o anúncio da OPA, feito a 16 de janeiro de 2017. A Oferta decorreu entre 17 de janeiro e a data de hoje.

De acordo com o anúncio da OPA, a contrapartida oferecida "é igual ao preço médio ponderado das ações no Euronext nos seis meses imediatamente anteriores a 21 de setembro de 2016, que corresponde à data em que se constituiu o dever de lançamento, e é também mais elevada do que qualquer preço pago por ação neste mesmo período pelo oferente ou por qualquer pessoa que, em relação a ele".

(Atualizada às 18H20)