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Juros da dívida descem em véspera de leilão

Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos seguem a descer esta terça-feira, em linha com os pares da periferia europeia. O IGCP tem agendada para amanhã dois leilões de Obrigações do Tesouro. Analistas dizem que descida dos juros é sol de pouca dura devido à incerteza política na Europa.

Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos recuam ligeiramente para 4,24%, ainda acima da barreira dos 4,2%, em véspera de dois leilões de Obrigações do Tesouro. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) tem agendados dois leilões de Obrigações do Tesouro, para amanhã com maturidades em outubro de 2022 e em fevereiro de 2024, num montante indicativo global entre 1000 e 1250 milhões de euros.

Ontem, os juros da dívida portuguesa a 10 anos subiram 10 pontos base para o máximo de um ano e o diferencial face à dívida alemã atingiu o nível mais alto dos últimos três anos devido aos receios de incerteza política na Europa, nomeadamente em França.

Os juros da dívida portuguesa também sofrem com a manutenção do rating por parte da Fitch em BB+ (nível de lixo) com perspetiva estável, na passada sexta-feira. Devido aos riscos políticos, analistas consideram que a descida verificada nos juros da dívida da periferia, esta terça-feira, é sol de pouca dura.

Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu afirmou, no Parlamento Europeu ontem, que o BCE não está a comprar mais dívida portuguesa devido ao limite por emitente de 33%.

No caso da dívida soberana francesa, têm vindo a registar um agravamento dos juros e do diferencial face à dívida alemã perante os temores de uma subida do partido radical Frente Nacional ao poder nas próximas eleições. O diferencial da dívida francesa face à dívida alemã atingiu os 78 pontos base, o máximo desde 2012.

"Acreditamos que os juros vão voltar à sua tendência de subida em França e na maior parte do resto da zona euro, nos meses vindouros", refere John Higgins, economista da Capital Economics numa análise de hoje. Explica o recuo generalizado dos juros esta terça-feira com o anúncio de Francois Fillon, candidato do Partido Republicano francês afectado por um escândalo, de que não desiste da corrida à presidência.

Não é esperado que a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, vença as eleições em França. "No entanto, as sondagens também não davam vitória ao Brexit nem a Trump", lembra o mesmo economista. "A mera possibilidade de Le Pen ter uma meia vitória, a mera possibilidade de a França deixar a União Europeia deverá manter os investidores nervosos".

Já o Commerzbank afirma, numa análise divulgada hoje, que "está a reemergir um padrão típico de crise, com os 'Bunds' alemães a atrair compras, enquanto os periféricos sofrem uma onda de vendas".