Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Mercados: BCP dispara 9% em Bolsa, juros da dívida em alta

As ações do Millennium bcp chegaram a subir mais de 9% esta segunda-feira após a confirmação de reforço de posição de acionistas no aumento de capital. No mercado secundário de dívida, os juros das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos avançam 2% e o prémio de risco está em máximos de 3 anos

A Bolsa portuguesa segue positiva esta segunda-feira, com os fortes ganhos do BCP e a subida da Galp a dar impulso ao índice PSI-20, num dia em que os juros da dívida portuguesa estão em máximos de três anos perante um aumento dos receios de riscos políticos em França.

O índice PSI-20 avança 1,15% (13H00) enquanto o índice europeu Stoxx Europe 600 recua 0,07%.

No mercado de obrigações, os títulos soberanos da zona euro estão a sofrer com os receios de um eventual aumento do populismo em França. A incerteza política leva a um movimento de venda da dívida soberana francesa. As obrigações portuguesas são igualmente afetadas.

O euro desliza 0,6% face ao dólar para 1.0719 dólares enquanto o ouro testou máximos.

"Em dia de discurso por parte do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, os investidores aguardam por novidades quanto às taxas de juro e quanto às prespetivas políticas que este pretende para a zona euro e, com o efeito, das medidas de Donald Trump prevalece a curiosidade para verificar o que Draghi tem para dizer", afirma Henrique Dias, gestor da XTB.

Em Lisboa, o Millennium bcp soma 9% para 0,1830 euros depois de já ter estado a subir 9,3%. Segundo Henrique Dias, esta subida do BCP surge "na sequência do sucesso do aumento de capital e com os pesos pesados a reforçarem posições", incluindo a Fosun.

"A BlackRock aumentou a sua posição para mais de 3%, depois de no passado ter reduzido a sua exposição ao banco nacional. Esta participação no aumento de capital por parte da gestora de capitais mostra a confiança na capacidade de criação de valor acionista por parte do banco, dando confiança à massa compradora", refere numa análise de hoje.

A Galp Energia valoriza 1,23% para 14,01 euros, dando impulso ao índice principal.

Nas descidas, a Mota-Engil lidera as perdas em termos percentuais, com uma descida de 1,15% para 1,63 euros, seguida do Banco BPI, que perde 0,8% para 1,1220 euros, na véspera de se saber o resultado da Oferta Pública de Aquisição por parte do espanhol CaixaBank.

Juros disparam

A incerteza política em França está a assustar os investidores, confrontados com o manifesto da candidatura da Frente Nacional. Le Pen pretende retirar a França do euro, entre outras medidas radicais.

No mercado secundário de dívida, os juros das Obrigações portuguesas a 10 anos subiu aos 4,276%, máximo de um ano, segundo dados da Thomson Reuters. O diferencial face à dívida alemã atingiu o máximo de três anos.

A Fitch reafirmou, na passada sexta-feira, o rating de Portugal em 'BB+' (nível de lixo), bem como a perspetiva 'estável'.

O gestor da XTB considera "preocupante" a manutenção do rating da dívida portuguesa por parte da Fitch, o que mostra "perceção negativa do desenvolvimento económico português e uma expetativa de fracas melhoras dos principais indicadores macroeconómicos".

O BiG lembra, numa nota aos clientes, que "a agência de ratings apontou para a banca e para os desenvolvimentos externos como os maiores riscos para Portugal".

Portugal realiza dois leilões de Obrigações do Tesouro na próxima quarta-feira, depois da emissão efetuada em janeiro e colocada junto de um conjunto de bancos.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) vai realizar no dia 8 de fevereiro leilões com maturidade em outubro de 2022 e em fevereiro de 2024, com um montante indicativo global entre 1000 e 1250 milhões de euros.

Por outro lado, os investidores estão preocupados com as eleições em França e temem um aumento do populismo e estão a vender dívida francesa e a refugiarem-se na dívida alemã, vista como porto seguro.

O diferencial da dívida soberana francesa a 10 anos face à dívida alemã está em máximos desde 2013, segundo dados da Thomson Reuters.