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“Quem manda no petróleo são os mercados financeiros”

Agostinho Pereira de Miranda, no seu escritório, em Lisboa. Este advogado, de 69 anos, além de ser professor de Direito da Energia, integra frequentemente comissões de arbitragem internacionais e é consultor do Banco Mundial

José Caria

90% do mercado diário é feito de ‘barris de papel’, sem existência física

Quando chega à estação de serviço e olha para o painel dos preços dos combustíveis, provavelmente está longe de imaginar que, em grande medida, o que vai pagar foi determinado não pelos países que produzem, exportam e refinam petróleo mas pelos mercados financeiros. Esses mesmos de que tanto tem ouvido falar nos últimos anos mas que, no fim do dia, se traduzem em algo indefinido, denso e até algo abstruso.

É que, diariamente, são transacionados cerca de 1000 milhões de barris de petróleo titulados nas praças financeiras de todo o mundo (são os chamados paper barrels, ou ‘barris de papel’) que, na verdade, não existem. Barris cheios de petróleo, de facto, são negociados 100 milhões por dia. “Ou seja, 90% deste mercado é financeiro. E esta financeirização do petróleo significa que tudo aquilo que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) faz, resulta — ou não — de acordo com a perceção que os mercados financeiros têm”, ou seja, a OPEP já não manda aqui, explica Agostinho Pereira de Miranda, advogado e especialista em direito da energia.

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