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Dolce Vita Tejo à venda por €300 milhões

O Dolce Vita Tejo foi inaugurado em 2009 e pertenceu 
à falida Chamartín Imobiliária

Marcos Borga

Negócio Operação liderada por americanos vai ser uma das mais valiosas concretizadas no sector

Marisa Antunes

Texto

Jornalista

Foi comprado há dois anos por €170 milhões e está neste momento a ser negociado por um valor próximo dos €300 milhões. O fundo americano Baupost, atual proprietário do maior centro comercial do país, o Dolce Vita Tejo, está a negociar a sua participação de 90% do espaço junto de um fundo de investimento imobiliário europeu, soube o Expresso junto de fontes de mercado. Os restantes 10% pertencem ao Eurofund Investments, de origem anglo-saxónica e espanhola.
Adquirido em janeiro de 2015 à falida Chamartín Imobiliária, o Dolce Vita Tejo é considerado não só o maior de Portugal como um dos maiores centros comerciais da Península Ibérica, com os seus 104 mil m2 de área bruta locável distribuídos por cerca de 300 lojas, mais de 30 restaurantes e 9000 lugares de estacionamento, entre outras valências.

O fundo americano Baupost é um conhecedor do mercado português e chegou a deter 2,15% do antigo BES, participação que vendeu pouco antes do colapso da instituição.

Mas na Península Ibérica os seus investimentos mais fortes incidem sobre a área do retalho e muito especificamente nos centros comerciais. Que compra a preços de oportunidade e revende pouco depois.

Um exemplo — além do Dolce Vita Tejo — foi a aquisição, há menos de três anos, ao fundo VastNed, de origem holandesa, de uma carteira com oito centros comerciais em Espanha, por €160 milhões, em distintas localidades como Alicante, Málaga ou Barcelona. Só em Madrid foram três — o Madrid Sur, Las Rosas e o Getafe III. Dois anos antes, o grupo holandês tinha avaliado o centro comercial Madrid Sur por €55,4 milhões, o Las Rosas em €42,8 milhões e o La Rosaleda, em Málaga, por €40,2 milhões.

Entretanto, a Baupost já começou a alienar parte deste portefólio espanhol. Em agosto, a Lar España Real Estate, uma sociedade imobiliária, adquiriu aos americanos por €42,5 milhões, o complexo comercial Vistahermosa, de Alicante.

Centros comerciais recuperam

O ano só agora começou e já está a ser profícuo em matéria de negócios envolvendo centros comerciais. Recorde-se que em curso está também uma operação de alienação dos centros comerciais Fórum Coimbra e Fórum Viseu, como o Expresso também adiantou recentemente. À venda por €200 milhões, os dois ativos fazem parte da carteira da Blackstone, também um fundo de investimento americano, cujo braço imobiliário em Portugal é a Multi.

Depois dos anos negros da crise que levaram à contenção ao consumo e ao consequente impacto na gestão dos estabelecimentos comerciais, o sector dos shoppings respira agora novos ares. Diz o Marketbeat Portugal, publicado esta semana pela Cushman & Wakefield (CW), que os “indicadores da indústria de centros comerciais, de acordo com a Associação Portuguesa de Centros Comerciais, refletem uma subida continuada nas vendas médias em Portugal desde 2013, resultado de aumentos no volume de vendas associados a alguma correção em baixa do fluxo de visitantes”.

A recuperação da procura de espaços de retalho ao longo do ano deixou de se confinar às localizações mais centrais, alargando-se também à generalidade dos centros comerciais em Portugal e a um vasto conjunto de ruas em Lisboa e Porto. Na amostra estudada pela Cushman & Wakefield foram registados cerca de 500 novos contratos de retalho, metade dos quais em centros comerciais.

Em 2017 estão previstos dois novos centros comerciais, que no seu conjunto somam 100 mil m2. Entre março e junho, o Grupo Ikea inaugura de forma faseada o seu segundo conjunto comercial em Portugal, o Mar Shopping Algarve, com um total de 83 mil m2 de área bruta líquida. No terceiro trimestre abrirá portas o Évora Shopping, o primeiro centro comercial de Évora, que contará 16.400 m2.

“A remodelação de centros existentes é uma tendência que irá manter-se nos próximos anos, incluindo em algumas situações aumento da área comercial. O NorteShopping, Oeiras Parque e Centro Colombo são exemplos de centros que contam com projetos de expansão”, refere ainda o estudo da CW.