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Projeto Liverpool dá exemplo  à Margem Sul

O Liverpool Waters é um projeto imobiliário que está orçado em 5,5 mil milhões de libras

Rust Studios

O projeto Lisbon South Bay quer replicar o sucesso das cidades inglesas

Marisa Antunes

Jornalista

Um megaprojeto orçado em 5,5 mil milhões de libras (€6,4 mil milhões) e que envolve a construção de 23 mil casas, um terminal de cruzeiros, quatro hotéis e centenas de espaços de escritórios está paulatinamente a mudar a frente ribeirinha de Liverpool e Wirral, a localidade da outra margem do rio Dee. É um exemplo de regeneração urbana levado a bom porto e cujo modelo a Baía do Tejo quer replicar no Lisbon South Bay — a marca portuguesa que foi criada para apostar na promoção internacional dos territórios que são geridos pela Baía do Tejo, quer ao nível dos seus parques empresariais, no Barreiro e no Seixal, quer ao nível de um projeto de cariz imobiliário, apelidado Cidade da Água e que se situa nos antigos estaleiros da Lisnave, em Almada.

Uma comitiva portuguesa com vários elementos da direção da Baía do Tejo (empresa estatal do universo Parpública) e responsáveis pelos departamentos municipais das três autarquias envolvidas esteve recentemente em Liverpool para ver in loco o impacto que um projeto de larga escala pode ter na economia local e na regeneração urbana. E estabelecer parcerias de consultoria com quem já ganhou experiência, dada por alguns anos de avanço na execução do plano.

“As semelhanças entre os dois projetos são grandes. Liverpool, que passou por uma fase importante na questão portuária, está agora a atravessar uma outra etapa, a da regeneração urbana, que prevê a compatibilização de novas áreas urbanas, algumas já executadas, com o novo terminal de contentores e não só. E o desenvolvimento está a acontecer nas duas margens”, explica Sérgio Saraiva, diretor executivo da Baía do Tejo.

Um exemplo para o projeto imobiliário português. Numa área que abrange cerca de 900 hectares, distribuída pelos três municípios — Almada, Seixal e Barreiro —, estão lotes de terreno, escritórios e armazéns por ocupar (nos parques empresariais). Há também um projeto de uso misto que prevê habitação, comércio, escritórios e área de lazer nos antigos terrenos da Lisnave, com vista privilegiada para o eixo ribeirinho de Lisboa. Está ainda prevista a construção de um terminal para o transporte fluvial dos futuros moradores desta Cidade da Água, que permitirá a ligação a Lisboa em oito minutos. Valências várias com um volume global de €1,2 mil milhões.

A Baía do Tejo tem promovido o Lisbon South Bay junto de investidores internacionais e, tal como na parceria bem-sucedida entre Liverpool e Wirrel — “que eles intitulam como cidade-região”, diz Sérgio Saraiva —, passa a mensagem da ligação entre Lisboa capital e Margem Sul.
“Lisboa é hoje reconhecida, mas a cidade como região deve crescer para ser mais competitiva como uma grande área económica que aposte no rio e no seu potencial”, realçou ainda.

Em Liverpool, depois da construção de vários equipamentos-âncora junto à frente ribeirinha, como um centro de congressos, um museu, um hotel e uma estação fluvial, entrou-se numa segunda etapa, no lado de Wirrel, onde avançam já edifícios residenciais e de escritórios.