Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Moçambique sem dinheiro para pagar combustíveis

Esta semana já houve problemas nas bombas de gasolina em Maputo, capital de Moçambique

Grant Neuenburg / Reuters

Primeiro, o Estado falhou o pagamento de juros a credores. Agora, está com dificuldades nas importações

Lázaro Mabunda

Lázaro Mabunda

Jornalista, correspondente em Maputo

Moçambique enfrente neste momento um risco sério de falta de combustíveis. Já houve um primeiro sobressalto esta semana, mas a situação pode voltar a agravar-se. Isto acontece pouco dias depois de ter sido comunicado oficialmente aos credores de títulos no valor de 726,5 milhões de dólares (€673,4 milhões) que “o pagamento da prestação dos juros no montante global de 59,8 milhões de dólares, devidos a 18 de janeiro de 2017, não será feito”. Os navios da próxima importação de combustível chegam a Moçambique entre finais da primeira quinzena e princípio da segunda quinzena de fevereiro, segundo nos revelou a Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO). Mas um funcionário sénior da IMOPETRO confidencia que esta crise “está no início” e que “ainda vai piorar”, dado que “não há dinheiro para pagar os próximos fornecimentos de combustível”.

De sexta-feira para segunda passada, as bombas de abastecimento em Maputo e noutras cidades ficaram com escassez de combustível. Na segunda-feira, as poucas bombas que ainda o tinham estabeleciam limites para cada cliente que iam entre 10 a 30 litros por viatura. Foi o primeiro sinal de que a crise já atingiu o coração do país. Em todas as bombas com combustível, registavam-se longas filas de viaturas à espera de abastecer. Alguns automobilistas foram mesmo obrigados a abandonar os carros ao longo do percurso. Outros, mais cautelosos, deixaram-nos em casa. Já não tinham combustível, e esta era a única solução. A cidade e província de Maputo tem um parque automóvel de cerca de 50 mil viaturas.

Leia mais na edição deste fim de semana