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“Em cada cinco novos empregos, quatro são a prazo”

Miguel Cabrita, Secretário de Estado do Emprego

Nuno Botelho

Há boas notícias do lado do mercado do emprego em Portugal: o desemprego continua a cair — ficou nos 10,2% em dezembro, o nível mais baixo desde abril de 2009, segundo os dados divulgados esta semana pelo instituto nacional de estatística (INE). Mas, explica o secretário de Estado do Emprego, os postos de trabalho criados são, em grande parte, emprego precário, o que exige uma intervenção direcionada nos apoios à criação de emprego, para jovens e desempregados de longa duração

Perante um crescimento económico modesto, como o que temos tido, como explica a descida acentuada do desemprego?
É um dado novo, mas não é exclusivo de Portugal. Não creio que haja já uma explicação muito sólida. É um facto, e ainda bem que assim é, que quer em Portugal quer noutros países, nomeadamente da Europa, apesar dos níveis de crescimento económico estarem longe do desejável, o comportamento do mercado de emprego foi muito positivo.

Já lá vai o tempo em que o desemprego descia devido à passagem à inatividade ou à emigração?
Este desempenho muito positivo aconteceu sobretudo por via do crescimento do emprego e não como tinha acontecido entre meados de 2013 e o fim de 2015. Teremos acabado o ano com um saldo líquido ligeiramente superior a 100 mil empregos criados. A taxa de desemprego terá ficado no final de 2016 entre 1,5 a 2 pontos percentuais a menos, em termos homólogos, o que é muito positivo. Estaremos no final do trimestre com uma taxa pouco acima dos 10%. Há uma recuperação do lado do desemprego, a expectativa do Governo é que possa continuar a baixar, mas ainda é muito elevado, com problemas no desemprego de longa duração e dos jovens e com a segmentação do mercado de trabalho. É uma recuperação promissora.

É expectável então que o desemprego este ano fique abaixo dos 10%?
Se o mercado do emprego mantiver o desempenho que tem tido, a taxa este ano deverá ficar abaixo dos 10%, que é uma barreira psicológica importante porque há quase uma década que não tínhamos níveis como esse. É um dado simbólico, tal como o que foi anunciado pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP): o desemprego registado nos centros de emprego está abaixo das 500 mil pessoas, algo que já não acontecia desde 2009, e tem vindo consistentemente a baixar.

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