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“Subida do salário mínimo é imprudente e não tem sustentação económica”

O Forum para a Competitividade conclui que a subida extraordinária do salário mínimo "é de uma enorme imprudência por ser realizada num contexto internacional de incerteza agravada"

A subida extraordinária do salário mínimo em Portugal “não tem qualquer sustentação na realidade económica” nacional e “é de uma enorme imprudência por ser realizada num contexto internacional de incerteza agravada”.

É assim que o Forum para a Competitividade comenta o aumento do salário mínimo nacional (SMN), acrescentando que “em 2016 verificou-se uma queda da produtividade e a inflação foi inferior ao esperado, tudo apontado para que em 2017 não devesse haver qualquer alteração no SMN. Em vez disso, o governo propõe novo aumento extraordinário totalmente desfasado da produtividade”.

Em nota de conjuntura hoje divulgada é ainda explicado que “com nova subida extraordinária do SMN em 2016, a subida em termos reais acumulada na década anterior foi de 21%, muito superior ao aumento acumulado da produtividade, de apenas 7%”.

Os analistas daquele Forum notam ainda que uma subida extraordinária do SMN em 2017 “seria sempre perigosa porque vinha numa sucessão de aumentos significativos no passado, porque o desemprego continua elevado e porque os problemas de competitividade do país persistem (o superavit externo tem sido conseguido por uma forte contração do investimento)”.

O Forum da Competitividade recorda que em dezembro de 2016 o emprego estabilizou, enquanto a taxa de desemprego conheceu nova queda, de 10,5% para 10,2%, o valor mais baixo desde o início de 2009. “Trata-se de uma evolução favorável, embora se deva lembrar que o emprego que se tem registado tem sido em posições de baixa produtividade”.

Sobre os primeiros dias da administração Trump, aqueles analistas recordam que em termos económicos, “já se deram passos nítidos de recuo do comércio livre, quer com o Pacífico, quer nas perspetivas de renegociação do NAFTA”. Alertam para a incerteza decorrente do novo estilo de governação norte-americana, sendo que “os contornos protecionistas da nova administração deverão ser prejudiciais à economia americana a prazo e, assim, também para o mundo como um todo, que enfrenta escassez de procura a nível global”.