Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Nanium é vendida aos norte-americanos da Amkor Technology

AICEP, Millennium e Novo Banco estão de saída da Ex Qimonda, que atrai a Amkor pela sua tecnologia e está pronta para continuar a crescer em Portugal.

A Nanium (ex Qimonda) e a Amkor Technology, Inc. anunciaram hoje um acordo para a venda da empresa de Mindelo, em Vila do Conde, ao grupo norte-americano, com sede no Arizona. Os termos do negócio não foram anunciados, mas o comunicado conjunto, divulgado hoje, afirma que o acordo "reforçará a posição" da Amkor "no mercado de rápido crescimento do encapsulamento de semicondutores".

"O Estado (18%, através da AICEP), Millennium BCP (41%) e Novo Banco (41%) vendem as suas participações à Amkor, que passa a ser o único acionista, mas a Nanium continua o seu caminho, tal como até agora, e deverá reforçar significativamente os investimentos em equipamento e tecnologia", disse ao Expresso Armando Tavares, presidente executivo da empresa de Vila do Conde.

O primeiro sinal de continuidade no trajeto da empresa que nasceu da falência da multinacional alemã Qimonda, em 2009, é a manutenção da equipa de gestão que deu a volta à uma unidade falida, pagando aos credores e colocando a unidade, de novo, na liderança mundial no que respeita a tecnologia de encapsulamento de semicondutores.

Para Armando Tavares, esta capacidade tecnológica "num momento importante da cadeia de produção dos semicondutores", onde se joga 20% a 30% do valor do produto, foi decisivo para atrair a atençãos do gigante norte-americano, até agora concorrente da Nanium, com vendas de quatro mil milhões de dólares, 400 vezes acima da empresa portuguesa.

"Temos a tecnologia, mercado, clientes e eles interessaram-se por isso. Podiam desenvolver a sua própria tecnologia, mas nós já temos a confiança do mercado neste nicho de mercado há sete anos", explica o gestor, que tem como clientes marcas americanas e europeias de telemóveis, televisores, computadores, automóveis.

Com 555 trabalhadores, a que se juntam outros postos de trabalho em regime de prestação de serviço, e uma história de colaboração com as universidades do Minho, Porto e Aveiro, a Nanium faturou 35 milhões de euros em 2016, mais 25% do que em 2015, e investiu 16 milhões de euros no ano passado. Em 2017, o programa de crescimento previa a aplicação de mais 9 milhões de euros na empresa, mas o presidente executivo admite que esse valor seja, agora, reforçado.

Para o gestor, a integração na Amkor dá à Nanium "capacidade financeira e de crescimento", tornando-se "uma sólida plataforma" de expansão futura.

O fecho da transação deverá ocorrer no primeiro trimestre do ano.

Fornecedora de encapsulamento, montagem, teste, engenharia e serviços de produção de semicondutores, a Nanium começou como Siemens Semicondutores em 1996, integrando depois a Qimonda. Quando o gigante alemão faliu, a empresa conseguiu ganhar de novo vida como Nanium em Portugal e especializou-se na tecnologia de nicho do encapsulamento de semicondutores em Wafer-Level Fan-Out, 100% para exportação e 80% para o mercado dos telemóveis.