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Portuguesa Tintex junta cortiça às suas malhas e vence prémio na Alemanha

Empresa especializada em tingimento e acabamentos conquista prémio em Munique com uma uma malha inovadora que aproveita desperdícios das rolhas de cortiça

A portuguesa Tintext venceu os prémios Hightex Award da Munich Fabric Star com uma malha inovadora com cortiça inovadora que reflete um conceito têxtil tecnologiamente avançado e eco-responsável e foi batizada com a designação de Corkcoating by Tintex

"Este primeiro lugar nos prémios Hightex Award da Munich Fabric Start reflete a apetência da Tintex para desenvolver produtos inovadores, mas que também incorporam sustentabilidade, performance e moda", afirma Mário Jorge Silva, administrador da empresa especialista em tingimento e acabamentos, ao jornal Portugal Têxtil.

A malha premiada combina uma mistura de liocel/algodão com desperdícios do fabrico de rolhas de cortiça e usa uma tecnologia inovadora de revestimento sem formaldeído, apresentando garantias de repelência à água, respirabilidade e conforto, tendo já sido utilizada em peças de vestuário.

A empresa de Cerveira que fechou 2016 com vendas de 10,5 milhões de euros, investiu recentemente mais de 3 milhões de euros em equipamento e tecnologia de ponta com um foco em "produtos verdes" certificados", colocando-se na liderança europeia dos revestimentos em malhas e na sua mercerização (tratamento que dá brilho e um toque sedoso aos materiais) e tem uma equipa de design e inovação própria.

A feira de Munique, onde participam 28 expositores lusos entre mais de mil fabricantes têxteis de todo o mundo, atribui o Hightex Award para premiar e encorajar os esforços dos principais produtores de tecidos a investir em desenvolvimentos de produto à prova de futuro.

Ao Expresso, em 2015, o empresário explicou que tinha criado a empresa em Cerveira, a norte do coração da indústria têxtil portuguesa, "para aproveitar um alvará". Quando se juntou a cinco sócios, em 1998, para fundar a empresa e dar nova vida a uma tinturaria falida, Mário Jorge Silva apostou, desde logo, numa estratégia de inovação e sustentabilidade para garantir diferenciação face à concorrência, atrair clientes e ultrapassar essa distância física, tendo chegado ao liocel, uma fibra proveniente da madeira, "mais ecológica, mas também mais díficil de trabalhar", precisamente no esforço que fez para encontrar novas matérias-primas.