Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

“Portugal lançava navios. Agora lança startups”, diz a Bloomberg

A agência norte-americana olha para o ecossistema português de empreendedorismo como um possível porto seguro para as empresas tecnológicas no pós-Brexit

"Portugal lançava navios. Agora lança startups". É assim que a Agência Bloomberg apresenta o ecossistema empreendedor português, num artigo de Edward Robinson sobre as movimentações que o Brexit pode vir a provocar no universo das jovens empresas tecnológicas.

É verdade que o Brexit dificilmente provocará um êxodo de Londres, "mas pode acelerar a criação de startups noutros lugares", sublinha a agência norte-americana, apontando Portugal como um destino possível, com vantagens sobre Londres, uma das cidades mais caras do mundo no que se refere a custos, salários incluidos. Aliás, Lisboa já foi selecionada num estudo da Allianz Kulturstifung como a quinta comunidade de startups com melhor desempenho da Europa, refere o trabalho.

O artigo começa com a história de Jaime Jorge, da Codacy, que em 2012 recusou um emprego na Google, em Londres, para formar a sua empresa, apostando numa ferramenta que corrige erros no código de software. Hoje, tem clientes como a Paypal e a Adobe e é uma das startups lusas mais conhecidas, protagonizando "algo novo num país pequeno, condicionado por uma economia estagnada e o stresse do sector bancário".

Da análise deste e doutros casos, o artigo conclui que ao contrário do passado, quando quem era "suficientemente corajoso" para arriscar criar a sua própria empresa tecnológica avançava fora do país, uma "confluência de forças" leva agora estes jovens empreendedores a construirem os seus projetos em casa. E há fatores como a cloud computing (computação na nuvem) ou os softwares de código aberto que tornam "fácil e mais barato do que nunca montar plataformas digitais em qualquer lugar", refere a Bloomberg, sem esquecer uma referência à universidade, que está a ensinar aos estudantes a arte do empreendedorismo em locais como o Instituto Superior Técnico.

A confirmar esta tendência, Edward Robinson aponta o exemplo da Seedrs, a plataforma de equity crowfunding lançada por Carlos Silva e Jeff Lynn, com sede na capital britância, mas toda a equipa de desenvolvimento concentrada em Lisboa. "Sabia que tínhamos talento ao nível da engenharia que não estava a ser explorado e, numa perspetiva de custos, isto era muito mais eficiente do que estabelecer a base em Londres", afirma Carlos Silva.

É verdade, diz a Bloomberg, que mesmo que Londres venha a perder o acesso ao mercado único e liberdade de movimento no espaço europeu, o Brexit "provavelmente não provocará um êxodo tecnológico de Londres", mas poderá acelerar a formação de startups noutros locais, como Lisboa, defende a agência, sublinhando que países como a Itália e Espanha também estão a trabalhar neste frente, através de medidas como incentivos fiscais para estimular os seus ecossistemas, e Portugal, através da Websummit teve "promoção internacional" neste campo.

De qualquer forma, o verdadeiro teste só chegará dentro de alguns anos, quando a geração de startups como a de Jaime Jorge precisar de financiamento para crescer. Aí, diz a Bloomberg, provavelmente, terão de visitar o Silicon Valley ou Singapura, porque não existem muitos investidores privados europeus disponíveis para este segmento, e se voltarem com capital para criarem mais produtos, mais empregos, mais riqueza, "então, poderão estar no caminho de transformar o seu jogo em algo inesquecível".