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Reabilitação anima Lisboa em 2017

Reabilitação na capital cresceu 87,5% em 2016

Tiago Miranda

Zona ribeirinha vai registar grande dinâmica imobiliária. Edifícios de escritórios são os principais ativos

“A reabilitação urbana promete continuar a fazer renascer Lisboa e a ser uma forte impulsionadora do sector de investimento”. Esta é a previsão da consultora imobiliária Worx que anualmente antecipa as tendências para o sector imobiliário.

“Lisboa é cada vez mais alvo de interesse da massa empresarial internacional que procura conjugar uma excelente localização estratégica para as suas operações com a competitividade de preço, qualidade de vida, segurança e opções de lazer que a cidade pode proporcionar”, diz a consultora. Destaca que “os prestigiados eventos que a cidade acolhe anualmente e os prémios europeus com os quais já foi distinguida inúmeras vezes comprovam o valor da capital portuguesa”.

Para 2017, segundo a Worx, “está prevista a conclusão de alguns projetos de escritórios, num total aproximado de 58.000 m2, no entanto já com ocupantes destinados. Metade da área bruta locável (ABL) prevista está concentrada em projetos na zona ribeirinha (29.000 m2), que se assume atualmente como o eixo principal de expansão imobiliária”.

“A zona ribeirinha, entre o IADE e o Cais do Sodré, vai ter nos próximos anos um bom desenvolvimento”, detalha Pedro Salema Garção, diretor da área de planeamento urbano da Worx. É nessa zona que se situa a nova sede da EDP.

A aposta na melhoria dos acessos, na mobilidade pedonal, na ligação das pessoas ao rio, assim como a construção de novas zonas de lazer, a implementação de conceitos comerciais na moda, são fatores determinantes que contribuem para a revitalização desta zona de mercado, aponta a Worx. “O carisma que lhe foi conferido tornou a zona ribeirinha um polo muito apetecível para investidores, promotores, empresas e turistas”.

Lembra que, em 2016, a reabilitação urbana na cidade de Lisboa teve um incentivo com os benefícios fiscais e com a atribuição dos Golden Visa — que registaram um crescimento de 87,5% face a 2015 —, que foram responsáveis pela explosão na reabilitação de habitação de luxo, um fator essencial para o crescimento da atratividade do mercado português.

A capital tem beneficiado de programas de requalificação urbana promovidos pelo atual governo ou por investimentos de privados.

“As intervenções na frente ribeirinha são prova disso. Gradualmente temos vindo a assistir ao transformar de uma zona de Lisboa, outrora abandonada e subaproveitada, que é agora caracterizada por uma oferta comercial, de serviços e cultural muito apelativa que tende a expandir-se progressivamente e a ganhar o seu lugar como uma das zonas mais atrativas de Lisboa para implementação de conceitos habitacionais, empresariais, comerciais, turísticos, culturais que interagem e se complementam entre si”, sublinha.

A Worx adianta que os projetos previstos em pipeline indicam que 2017 deverá ultrapassar novamente a fasquia dos mil milhões de euros e posicionar-se mais uma vez no ranking dos melhores anos de investimento em Portugal, com os segmentos de escritórios e retalho a liderarem as escolhas dos investidores.

“As previsões avançadas para os próximos dois anos apontam para um cenário de estabilização, mas os dados devem ser analisados com cuidado”, frisa ainda a Worx. A consultora defende que 2017 deve ser encarado com cautela, pela expectativa que a evolução dos vários condicionamentos políticos e económicos causa.