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Universidade de Lisboa tem 4% da cidade

A Universidade de Lisboa tem dezenas de imóveis na capital

Paulo Vaz Henriques

A Norte, a Universidade do Porto ocupa cerca de 1,2% do território da Invicta e possui dezenas de edifícios

O tecido urbano de Lisboa, Porto e Coimbra está marcado pela presença de instituições de ensino superior. Só o património imobiliário da Universidade de Lisboa (UL) ocupa 4% da área da capital e na Invicta a Universidade do Porto (UP) abarca cerca de 1,2%. Já a Universidade de Coimbra (UC) foi declarada Património Mundial pela UNESCO em 2013 o que no ano passado lhe granjeou 450 mil visitantes e uma receita de €3 milhões. Na gestão de tão vasto espólio os reitores destas escolas públicas optam por vender imóveis sem atividade, construir de novo quando há necessidade, reabilitar para aproveitarem o que têm e utilizam o turismo para obter verba para manter o edificado.

São 50 mil os alunos da Universidade de Lisboa (que resultou da fusão entre a Técnica e a Clássica), sendo esta a maior universidade pública do país. Conta com 18 faculdades e institutos e um património que se estende desde a cidade universitária ao polo do Alto da Ajuda e tem instalações nos concelhos de Oeiras, Cascais e Loures. Entre os espaços sob a sua alçada salientam-se o Pavilhão de Portugal, a Tapada da Ajuda, o Estádio Universitário de Lisboa, o Hipódromo do Campo Grande e o Jardim Botânico da Ajuda.

A UL conta com duas dezenas de residências universitárias, no total de 1250 camas, em edifícios seus e outros arrendados e esta é uma das áreas em que está a trabalhar. “Se tivermos melhores residências, vamos ter mais pessoas a procurar as nossas instalações”, explica António Cruz Serra, reitor da UL. Para além da já falada construção da residência do polo da Ajuda, que custará €8 milhões e cuja primeira fase estará a funcionar no segundo semestre do ano letivo de 2017/18, da transformação da cantina 2 num destes espaços com 150 camas e da concessão a privados de um edifício na escola politécnica para esse efeito, com 80 camas, tem mais projetos na calha.

Aposta em residências

Um deles poderá nascer na cidade universitária. “É muito importante construir uma residência aqui”, frisa o reitor. Ficará num terreno por trás da Biblioteca Nacional, mas está ainda dependente do plano de urbanização da autarquia, em curso, para esta zona. Segundo o reitor, está por definir o modelo a aplicar que poderá incluir uma parte concessionada a privados e outra da responsabilidade da universidade.

Numa cidade com falta de área para a construção de raiz, um terreno na Expo é sem dúvida cobiçado. Para o que aqui tem António Cruz Serra equaciona, mais uma vez, “abrir concurso para concessionar a construção de residência. Terá de ser um modelo de exploração com um número alargado de anos para poder haver recuperação do investimento, com compensação para a universidade, financeira ou na disponibilização de camas para ação social”, explica. Acrescenta que “há uma apetência muito grande dos privados por esta área de negócio e será uma grande oportunidade”. O concurso poderá ser lançado em escassos meses, contudo o reitor não exclui também a hipótese de vender uma parte do terreno que conta com 14 mil m2 de área. O dinheiro para todas estas obras chega da libertação de verbas resultante da junção das duas universidades, numa economia de escala que levou, por exemplo, a readaptações na ocupação de imóveis e à alienação de alguns.

A reitoria é um dos edifícios históricos da Universidade do Porto

A reitoria é um dos edifícios históricos da Universidade do Porto

Lucília Monteiro

Uma política que tem sido seguida pela sua congénere do Porto. No ano passado a UP vendeu um conjunto de edifícios, no centro da Invicta, por um valor que, de acordo com o seu reitor, Sebastião Feyo de Andrade, foi “mais de €5 milhões e menos de €10 milhões”. Nesta instituição toda a verba resultante da venda de imóveis é “reinvestida na reabilitação de património imobiliário”. E no corrente ano vão ter início diversas obras. Entre elas contam-se empreitadas na reitoria, e nas faculdades de Economia e de Belas-Artes. Serão de manutenção e reabilitação de edifícios com mais de 50 anos.

A UP conta com 30 mil estudantes e tem 14 faculdades, vários centros de investigação e edifícios históricos como a reitoria, jardim botânico, Observatório Astronómico da Faculdade de Ciências, um património que segundo o reitor são “muito mais de 40 imóveis”. Com tanto edificado, e segundo Sebastião Feyo de Andrade, a palavra de ordem é reabilitar e reaproveitar o que se tem. Exemplo disso é a adaptação de um edifício que ficou desocupado há cerca de um ano, onde irá ser instalada a Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação que atualmente ocupa parte das instalações da Faculdade de Engenharia. Refere ainda o reitor que a UP possui edifícios que podem ser reconvertidos em residências de estudantes, uma vez que têm apenas cerca de 1200 camas para os seus alunos. E se existirem privados interessados neste negócio, está aberto a negociações.

Gerir património mundial

A Universidade de Coimbra (UC) possui uma história muito antiga e património com centenas de anos que em 2013 foi classificado pela UNESCO. “O financiamento da UC não é influenciado num euro que seja pelo facto de termos este património à nossa guarda. Neste momento é o fluxo turístico que nos permite manter um grau de conservação bom”, comenta Jorge Gabriel Silva, reitor da UC. Só no ano passado foram 450 mil os turistas que visitaram a universidade, um crescimento de quase 30% face a 2015 em que foram 350 mil. Em termos de receita ultrapassou um pouco, segundo o reitor “os €3 milhões”. Uma receita que é investida em obras de recuperação dos imóveis. Dentro do seu património o espaço mais visitado é a biblioteca joanina.

Dos 23 mil alunos da UC, entre 70 e 80% são deslocados. A eles a universidade tem para oferecer 14 residências com pouco mais de 1300 camas. “Coimbra está neste ramo de negócio há séculos e o tecido urbano está preparado para absorver esta quantidade imensa de gente, e é uma atividade económica importante”. Sem obras agendadas neste domínio a UC vai comprar por meio milhão de euros a residência universitária mais antiga da cidade, de 1940, situada na Rua da Alegria. Está apenas a aguardar a aprovação do Ministério das Finanças, tendo já verba própria disponível para o efeito. E quando a Maternidade Daniel de Matos for desativada, uma vez que o edifício é seu, vai transformá-la em alojamento para estudantes.