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Juros da dívida de Irlanda e Itália destacam-se nas subidas

Zona euro regista movimento generalizado de aumento dos juros das obrigações desde início do ano no mercado secundário. Juros das obrigações portuguesas de longo prazo estão entre 4 e 5%. Rentabilidade do conjunto da dívida da zona euro está negativa

Jorge Nascimento Rodrigues

Cinco países da zona euro registam as maiores subidas desde início do ano nas yields da dívida obrigacionista no prazo de referência, a 10 anos.

Itália e Irlanda destacam-se com 41 e 40 pontos-base de aumento respetivamente, seguidas de Portugal, França e Bélgica, com 37, 36 e 32 pontos-base respetivamente, se tomarmos em consideração os benchmarks a 10 anos que estão a ser usados nas comparações internacionais.

Excluindo a Grécia, que está sob resgate - o terceiro - e à beira de uma segunda reestruturação de dívida, agora em três fases, os cinco países do euro mais 'sensíveis' às subidas do custo de financiamento da sua dívida pública, desde início do ano, são Portugal, Itália, Irlanda, França e Bélgica, por ordem decrescente dos seus níveis de yields no mercado secundário. A Finlândia surge a seguir, com uma subida de 29 pontos-base desde início do ano.

Dívida de longo prazo portuguesa com juros acima de 4%

Nestas comparações internacionais, a linha de Obrigações do Tesouro (OT) português que , ainda, continua a ser usada é a que vence em 2026. As yields destas OT fecharam 2016 em 3,76% e subiram para 4,13% na sexta-feira passada.

Se tomarmos em consideração a nova linha de OT com vencimento em 2027, lançada a 11 de janeiro através de uma operação sindicada em que o Tesouro pagou uma taxa de 4,227%, as yields no mercado secundário fecharam a semana em 4,37%, uma subida de 14 pontos-base em 11 sessões. Na OT que vence em 2030, a yield subiu para 4,62%, e, na linha com maturidade em 2037, a yield disparou para 4,92%, já perto dos 5%. Nestes dois casos, usados como referências a 15 e 20 anos, as subidas foram de 32 e 52 pontos-base respetivamente em relação ao final do ano passado.

O conjunto da dívida obrigacionista portuguesa - em todos os prazos - regista uma yield até à maturidade no mercado secundário de 2,79%, segundo a Bloomberg. O custo anual da dívida direta do Estado - excluindo os empréstimos da troika - ficou em 3,2% no final de 2016, abaixo de 3,4% verificado em 2015 e 3,6% em 2013 e 2014, segundo o último Boletim Mensal da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública. O custo médio estimado dos empréstimos da troika (FMI e os dois fundos de resgate europeus) é de 2,7%, segundo aquela entidade.

Bem longe de mínimos históricos

A dinâmica de subida das yields na zona euro no prazo a 10 anos pode ser avaliada de uma outra forma – em relação aos mínimos históricos registados em 2016. As mudanças foram enormes em apenas cinco a seis meses.

Olhando para os periféricos (excluindo a Grécia, que não registou mínimos históricos), as yields mais do que duplicaram no caso das obrigações italianas (de 1% no mínimo de agosto para mais de 2,2% agora), mais do que triplicaram para as irlandesas (de 0,33% em setembro para quase 1,2% agora), e subiram de 0,88% em setembro para 1,62% agora para as obrigações espanholas. No caso português, o mínimo histórico foi registado em março de 2015, chegando a descer, então, para 1,5%. As yields estão a caminho do triplo quase dois anos depois do mínimo.

Nos casos de alguns países do centro do euro, as subidas foram de terreno negativo (com as yields em mínimos históricos negativos) para positivo nas yields das obrigações. Para a Alemanha, as yields subiram de um mínimo de -0,18% em julho do ano passado para 0,46% agora. Para a Finlândia, a subida foi de -0,015% em setembro para 0,64% agora. Entre setembro e agora, o ‘salto’ foi de 0,1% para 0,87% no caso da Bélgica, e de 0,097% para 1,04% no caso de França.

Os prémios de risco que mais subiram, no período referido, foram os relativos às dívidas italiana e irlandesa, que aumentaram 15 e 14 pontos base. No caso português, o prémio subiu 11 pontos base desde final do ano passado. As diferenças de patamares neste spread são, contudo, significativas entre os periféricos: 678 pontos-base para a Grécia, 366 para Portugal, 177 para a Itália, 116 para a Espanha e 71 para Irlanda, para dados de fecho de 27 de janeiro. Cada 100 pontos base equivalem a um diferencial de 1 ponto percentual em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos, que serve de referência. No caso português, o spread está em 3,66 pontos percentuais.

Um estudo recente do académico alemão Paul Ferdinand Schmelzing aponta para o fim de um ciclo de juros da dívida pública que atingiu mínimos históricos em 2015 e 2016 consoante os países.

Zona euro com rentabilidade negativa

O retorno do conjunto da dívida pública da zona euro está em terreno negativo, se avaliado desde o início deste ano. Segundo dados da Bloomberg, a rentabilidade do conjunto da dívida dos membros da moeda única, desde início de 2017, está em -2,02%.

No caso português, a rentabilidade de toda a dívida obrigacionista regista -1,75%. O conjunto da zona euro está pior, e a Irlanda e a Itália bem pior, com retornos negativos de -2,3% e -2,2% respetivamente.

Se o retorno for avaliado abarcando o período dos últimos 12 meses, Portugal e Itália destacam-se pela negativa. O retorno é de -3,16% para Portugal e -2,2% para Itália face a -0,25% para o conjunto da zona euro. No ano de 2016, Portugal foi o único membro do euro que registou uma rentabilidade anual negativa, de -2,65%. A situação está, agora, pior para todos os periféricos do euro.