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Ingleses compram as casas mais caras

O golfe e a praia são fatores de grande atração. Portugal tem 34 mil habitações turísticas

Albufeira e Loulé são os locais que mais atraem estes investidores. Turcos começam a olhar para Portugal

Marisa Antunes

Jornalista

Ingleses e irlandeses gastam em média €1,78 milhões para comprar casa em Portugal e continuam a ser os melhores clientes no Algarve no que diz respeito ao turismo residencial, segundo dados divulgados esta semana pela Confidencial Imobiliário (Ci), durante a Conferência Nacional do Turismo Residencial e do Golfe, organizada pela Associação Portuguesa de Resorts (APR). Os concelhos de Albufeira e Loulé (onde se incluem empreendimentos como Quinta do Lago, Vale do Lobo ou Pine Cliffs) concentram a maior oferta, com 64% das transações realizadas entre 2015 e o primeiro semestre de 2016 (numa base de dados da Ci a partir de uma amostra de 2096 imóveis). Dos 34 mil alojamentos que integram o parque das habitações turísticas em Portugal, 77% estão situados no Algarve, a maioria nestes concelhos.

O mercado chinês é o segundo mais ativo entre os estrangeiros que apostam no turismo residencial, com 10% das vendas, mas com um valor médio de investimento bastante abaixo do dos ingleses — €779 mil. “Os países do Norte da Europa merecem igualmente destaque — com especial relevo para a França —, com uma quota agregada de 13% nas vendas e um investimento médio de €1,40 milhões”, refere-se no estudo da Confidencial.

O sector tem pela frente um ano cheio de desafios complexos, temas em debate na conferência da APR que se realizou na passada quinta-feira em Lisboa. Vistos gold a meio gás (devido ao processo burocrático na atribuição do visto), eleições em França (que podem refrear o fluxo de franceses para cá) e o ‘Brexit’ (com impacto no valor da libra) são algumas das questões no horizonte dos promotores imobiliários.

“O impacto do ‘Brexit’, principalmente, é muito importante, porque o mercado inglês já está connosco há mais de 50 anos. Mas não estamos pessimistas: o inglês é o povo que mais viaja, no mundo, em percentagem de população. E para muitos deles é fundamental ter uma casa fora do país. Se eles não comprassem casa na Europa, a alternativa poderia ser os EUA, mas a libra desvalorizou ainda mais face ao dólar, por isso não estou muito preocupado”, realçou ao Expresso Diogo Gaspar Ferreira, presidente da APR.

Mas a novidade no Algarve (e não só) quando se fala de imobiliário adquirido por clientes estrangeiros é a diversidade de nacionalidades: o Ci contabilizou 18, entre cidadãos africanos, europeus, asiáticos e oriundos do Médio Oriente.

Frederico Mendonça, responsável pelo departamento residencial da consultora CBRE, fala do mais recente interesse: “Perdemos terreno para Espanha no que diz respeito aos vistos gold para os chineses, mas se conseguirmos voltar a agilizar o tratamento burocrático na atribuição dos processos temos aqui espaço para voltar a atuar. Por experiência própria, um dos mercados que está neste momento a procurar muito Portugal é o turco. A CBRE tem escritório na Turquia e agora todas as semanas estamos a receber clientes turcos, do segmento mais alto, interessados em investir em Portugal.”