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Funcionários da Sonangol despejados 
em Cuba

Falta de pagamento de rendas, água e luz justificou decisão

Gustavo Costa

Correspondente em Luanda

Correspondente em Luanda

As autoridades de Cuba, aliado histórico de Angola durante a guerra civil, ordenaram o desalojamento das casas onde os funcionários da Sonangol colocados na ilha se encontravam a viver, por falta de pagamento das rendas, luz e água, apurou o Expresso junto de um alto responsável da petrolífera angolana. As moradias estavam arrendadas a baixo custo em comparação com os altos preços das rendas praticadas em Angola, mas a falta de cumprimento dos compromissos financeiros assumidos com o proprietário das casas — o Estado cubano — acabou por precipitar o despejo dos representantes da Sonangol que, naquele país, faziam testes para a descoberta e exploração de crude. “Os cubanos estão desiludidos com o tratamento a que os votamos nos últimos anos e agora, com essa atitude, demonstram que começam a perder a paciência”, reconheceu um diplomata angolano, que pediu anonimato.

Desiludidos já haviam ficado quando, a pedido das autoridades angolanas, disponibilizaram um terreno para a construção de um hotel numa zona nobre de Havana que, não tendo sido aproveitado, acabou por ser entregue a uma cadeia europeia de hotéis.

Este sentimento de desilusão ganhou corpo após sucessivas promessas — não honradas até hoje na sua totalidade — do pagamento da dívida contraída por Luanda nos últimos anos com a presença em Angola de técnicos cubanos de várias especialidades. “A dívida chegou a atingir os 300 milhões de dólares (€280,5 milhões) e, perante os momentos difíceis que estamos a viver, esperávamos da parte dos angolanos uma outra atitude para connosco”, desabafou um antigo combatente cubano, que esteve em Angola durante o período da guerra.

Agora, chegou a vez de a Sonangol, o antigo ‘pulmão’ da economia angolana, provocar também o desencanto entre os cubanos, depois de os seus funcionários terem sido enviados para Cuba no âmbito de um contrato de cooperação visando a descoberta e exploração de petróleo na ilha. Este contrato adquiriu maior consistência com o estabelecimento de uma parceria tripartida entre a Sonangol e a CUPET, companhia de hidrocarbonetos de Cuba.

Com essa parceria, a petrolífera cubana passou a deter uma participação em dois blocos no onshore de Cabinda Sul com um potencial muito promissor e, em conjunto com a Sonangol, está agora também a explorar um bloco petrolífero na Venezuela, onde ambas empresas se têm confrontado com a falta de pagamento por parte do Presidente Maduro.

Em Cuba, ao abrigo do acordo de cooperação assinado com Havana, os especialistas da Sonangol chegaram a proceder aos trabalhos de sísmica e preparavam-se para fazer as primeiras perfurações mas a crise financeira, que conduziu a sua falência técnica, acabou por pôr em cheque a sua continuidade na parceria.

Os angolanos, segundo soube o Expresso, chegaram a admitir pôr fim à sua permanência no projeto mas os cubanos impuseram a cláusula de indemnização estabelecida no contrato o que, rondando os 250 milhões de dólares (€233,8), acabou por obrigar a Sonangol a recuar.