Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

“Coabitação” civil e militar no Montijo só será viável com número reduzido de voos

José Caria

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea, o general Manuel Rolo, não descarta, contudo, a hipótese de "deslocalizar definitivamente" a base aérea do Montijo para outra localização

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea, o general Manuel Rolo, advertiu esta sexta-feira que a "coabitação" civil e militar na base do Montijo só será viável enquanto o número de movimentos for reduzido, mas ainda assim quer acreditar que a operação "não será beliscada".

"Queremos acreditar que parte do nosso dispositivo poderia coabitar com a atividade civil, enquanto o número de movimentos for reduzido. Se o número de movimentos aumentar de forma exponencial essa capacitação é capaz de estar de facto comprometida", admitiu após questionado sobre os impactos da instalação de um aeroporto civil na base militar do Montijo.

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea falava à agência Lusa à margem da cerimónia de atribuição de medalhas a um conjunto de 23 militares do ramo que estiveram envolvidos no projeto de venda de 13 aeronaves F-16 à Roménia, numa cerimónia no ministério da Defesa Nacional.

"Em função da decisão que for tomada e também da avaliação que seja feita de forma criteriosa sobre aquilo que se espera que seja o aumento do tráfego civil no Montijo poderá ditar que a Força Aérea, mais uma vez mandatada pela Defesa Nacional, tenha que encontrar soluções para se deslocalizar definitivamente do Montijo", disse.

Manuel Rolo frisou que "o que nunca poderá estar comprometido é a operacionalidade das aeronaves militares" e a resposta que as Forças Armadas têm de dar "às solicitações contínuas" que tem, no Montijo ou "futuramente noutro local".

Manuel Rolo disse que a base militar do Montijo "é uma das bases com mais `output´ operacional" o que exige a garantia de que a operação "não será beliscada".

"Quero acreditar que aquilo que é um desígnio nacional, que é a nossa capacidade de resposta a essas missões, não será nunca beliscado e não poderá ser beliscado", reforçou.

O general sublinhou que se a Força Aérea tiver que deslocalizar parte do dispositivo atual para outras bases "essa transferência terá que ser feita em tempo e sempre previamente" à instalação da pista civil.

Quanto à participação da Força Aérea nos estudos prévios, Manuel Rolo disse que o ramo "participou de forma mais intensa" num "grupo de trabalho para se perceber a viabilidade técnica e operacional" de compatibilizar a parte civil e militar mas do ponto de vista da "gestão do espaço aéreo à volta de Lisboa".

"A partir do momento em que existem dois aeroportos contíguos, em que o tráfego aéreo passa a ter uma intensidade muito superior, é preciso que haja um sistema de gestão do espaço aéreo muito mais eficaz e muito maior capacidade de resposta e isso é obviamente desígnio da parte civil, a NAV Portugal", disse.

No entanto, "a Força Aérea tem o seu papel na medida em que muitas dessas rotas passam por zonas militares e tem que haver compatibilização com as necessidades militares na gestão do espaço aéreo", disse.

No passado dia 13, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou que nas próximas semanas haveria novidades sobre o novo aeroporto complementar ao de Lisboa, referindo que a base aérea no Montijo foi estudada de forma particular.