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Investimento das empresas desacelera de 6,5% em 2016 para 3,8% em 2017

Entre 2016 e 2017 prevê-se um aumento do peso relativo da deterioração das perspetivas de venda e da dificuldade em obter crédito bancário e uma redução do peso relativo da capacidade de autofinanciamento

O investimento empresarial deverá desacelerar para 3,8% este ano, depois de em 2016 ter crescido 6,5%, acima das perspetivas, revela o Inquérito de Conjuntura ao Investimento hoje divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo as intenções manifestadas pelas empresas na última edição do inquérito - que decorreu entre 01 de outubro de 2016 e 18 de janeiro de 2017 - o aumento de 6,5% do investimento no ano passado traduz “uma ligeira revisão em alta face às perspetivas reveladas no inquérito anterior (variação de 6,0%) e uma revisão mais acentuada face às perspetivas reveladas no inquérito de outubro de 2015 (variação de 3,1%)”.

No que diz respeito aos objetivos do investimento, o INE diz perspetivar-se entre 2016 e 2017 “uma redução da importância relativa dos investimentos orientados para a substituição, para a extensão da capacidade de produção e para outros investimentos, enquanto o investimento associado à racionalização e restruturação verá o seu peso relativo aumentar”.

Já o investimento de extensão da capacidade de produção “destacou-se por ser o mais referido em ambos os anos”.

Relativamente aos fatores que mais limitaram o investimento nos dois anos analisados, as empresas destacaram a “deterioração das perspetivas de venda”, seguindo-se, em 2016, a “insuficiência da capacidade de autofinanciamento” e, em 2017, a “incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos”.

Entre 2016 e 2017 prevê-se um aumento do peso relativo da deterioração das perspetivas de venda e da dificuldade em obter crédito bancário e uma redução do peso relativo da capacidade de autofinanciamento.

Considerando a dimensão das empresas por escalões de pessoal ao serviço, as sociedades pertencentes ao 4.º escalão (500 ou mais pessoas ao serviço) destacaram-se com o contributo positivo mais significativo (4,8 pontos percentuais (p.p.)) para a variação do investimento em 2016, refletindo um acréscimo de 12,3%.

Em sentido oposto, as empresas do 1.º escalão (menos de 50 pessoas ao serviço) apresentaram um contributo nulo, em resultado de uma variação ligeiramente negativa (-0,2%).

Em 2017, os resultados voltam a apontar para um crescimento do investimento nas empresas do 4º, do 3º e do 2º escalões de pessoal ao serviço, com taxas de variação de 6,8%, 6,6% e 3,6%, e contributos para a variação total do investimento de 2,8 p.p., 1,0 p.p. e 0,6 p.p., respetivamente. Em sentido contrário, as empresas do 1º escalão de pessoal ao serviço apresentaram um contributo negativo de 0,6 p.p. para a variação total de investimento (traduzindo uma variação de -2,5%).

Analisando as empresas da secção de indústrias transformadoras, que o INE refere apresentarem “uma vertente mais exportadora”, estima-se que o investimento tenha aumentado 22,1% em 2016 e relativamente a 2017 perspetiva-se um crescimento de 5,0%.

Numa análise dos destinos do investimento, o INE refere que a variação positiva apurada para 2016 resultou dos contributos positivos do investimento em equipamentos (6,1 p.p.), outros investimentos (1,2 p.p.) e em construções (0,2 p.p.), enquanto o investimento em material de transporte apresentou um contributo negativo (-1,0 p.p.).

Para 2017, o investimento em equipamentos apresenta o contributo positivo mais expressivo (4,0 p.p.) para a variação do investimento total (3,8%), enquanto os investimentos em material de transporte e construções contribuíram negativamente (-0,9 p.p. e -0,1 p.p., respetivamente).

Segundo o INE, o autofinanciamento “continua a ser a principal fonte de financiamento para o investimento das empresas inquiridas”, representando 66,2% e 64,9% do total em 2016 e 2017, respetivamente.

A este nível, é ainda apontado o aumento observado entre 2016 e 2017 no recurso a fundos provenientes da União Europeia (1,3 p.p.) e a empréstimos do Estado (0,7 p.p.), mantendo-se, no entanto, o crédito bancário como a segunda principal fonte de financiamento (20,1% na média dos dois anos).

Relativamente às expectativas de criação de emprego resultante do investimento realizado ou a realizar, a maioria das secções apresentou saldos de respostas extremas positivos, antecipando-se um aumento deste saldo de 2016 para 2017.