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BCP arrefece em Bolsa

Nuno Fox

A negociação de direitos de subscrição ao aumento de capital do BCP arrefeceu em Bolsa. Depois da procura registada inicialmente, o volume caiu, tal como o preço. As ações do BCP também descem

A negociação em Bolsa dos direitos de subscrição relativos ao aumento de capital do BCP arrefeceu nas últimas sessões, com o preço a descer, tal como a cotação das ações do BCP.

Depois de um arranque da negociação dos direitos com forte volume e uma subida acentuada, os direitos registam agora menor liquidez e têm vindo a desvalorizar. As ações do banco acompanham a tendência.

Ainda assim, às 14h50 desta quinta-feira os direitos continuavam a negociar com um desconto face à cotação das ações do banco, tendo em conta o rácio anunciado na Oferta que se insere na operação de aumento de capital do BCP. Os direitos seguiam com uma queda de 18,2% para 0,6380 euros e as ações recuavam 4,6% para 0,1431 euros, segundo dados da ThomsonReuters.

Para os acionistas do banco que não queiram ver diluída a sua posição, terão de acompanhar este aumento de capital. Mas alguns analistas recomendam a venda dos direitos por considerarem que existem muitos riscos em torno do banco.

Quem quiser tornar-se acionista do BCP será melhor optar pela comprar de direitos do BCP, visto que estão a desconto face ao preço das ações do banco. Aliás, com base nesta diferença entre preço dos direitos e das ações, os investidores têm aproveitado para realizar lucros (arbitragem).

Ao fecho de quarta-feira tinham sido negociados cerca de 152 milhões de direitos do BCP. A volatilidade tem sido grande. No primeiro dia de negociação, os direitos dispararam mais de 28% para na sessão seguinte subirem 7,3% e descerem nas três sessões posteriores. As ações do BCP também registaram alguma volatilidade, tendo beneficiado da proibição de aposta na queda dos títulos implementada pelo regulador no arranque da negociação dos direitos.

Fosun reforça

A Fosun, que detém 16,7% do BCP, deverá investir mais de 500 milhões de euros para reforçar a sua posição no banco para cerca de 30%, depois de já ter investido 165 milhões de euros no banco. "Com o reforço de posição, quer dizer que a Fosun avalia o BCP em 2000 milhões de euros e está disposta a pagar esse preço. Mas o que faz sentido para a Fosun, devido à sua estratégia, pode não fazer sentido para os restantes investidores", diz um analista que pediu para não ser identificado. "Pensamos que é um preço caro e que os investidores devem vender os seus direitos", afirma.

O período de subscrição dos direitos decorre até 2 de fevereiro e a negociação dos direitos decorre até ao dia 30 de janeiro.

No dia 17, as ações do BCP ajustaram ao facto de estarem a negociar sem o direito ao aumento de capital. As novas ações deverão ser admitidas à negociação em bolsa no dia 9 de fevereiro.

Os direitos arrancaram com um preço teórico de 1,005 euros. Cada direito equivale a 15 novas ações do BCP, ao preço de 9,4 cêntimos.

“Entre os nossos clientes tivemos mais subscrições de direitos (os clientes preferiram exercer os direitos de subscrição do aumento de capital) do que vendas”, diz João Queiroz, diretor de negociação do Banco Carregosa.

“Até agora, o desempenho da negociação dos direitos foi positivo e é natural que a operação corra bem. Mas o grande teste vai ser quando as novas ações forem admitidas à negociação, dia 9 de fevereiro, três dias depois da apresentação dos resultados de 2016 do BCP”, salienta.

Segundo João Queiroz, “para além do preço atrativo estão certamente a ser tidos em conta os menores custos financeiros no futuro, com o reembolso de Coco’s ao Estado e a perspetiva de limpar algumas provisões e malparado”. “Além disso, veremos como ficam os créditos fiscais do BCP que contribuem em larga medida para os seus rácios de capital”, afirma.

Os direitos têm estado a negociar a desconto face às ações do BCP. “Assim, compensa vender ações e comprar direitos para depois ficar com ações do banco a melhor preço”, diz Albino Oliveira, gestor da Patris. Mas, isto, numa lógica de negociação em Bolsa. Porque, se vai valer a pena ficar com ações do banco, isso já é uma incógnita. “A evolução da cotação das ações vai depender dos resultados do banco e também no facto de se saber se este foi o último aumento de capital e pode haver outro”, afirma Oliveira.

BCP passa a ser “respeitável”

A operação em curso consiste num aumento de capital de 1332 milhões de euros através da emissão de 14.169 milhões de novas acções. O objetivo é reembolsar integralmente os instrumentos híbridos detidos pelo Estado Português (CoCos e para reforçar a base de capital.

O encaixe de 1332 milhões de euros está garantido, até porque a operação foi alvo de tomada firme pelo consórcio de bancos internacionais, onde se inclui o Goldman Sachs e o JP Morgan.

Os analistas da CreditSights destacam, numa análise ao aumento de capital do BCP, que consideram interessante as notícias de que a Sonangol, que detém cerca de 18% do capital do BCP, ter pedido autorização ao Banco Central Europeu para aumentar a sua posição até 30%, apesar do BCP não ter informação sobre a decisão da Sonangol em relação aos direitos de subscrição da Oferta.

“Claramente é um evento positivo em termos de crédito, permitindo ao banco pagar os restantes 700 milhões de euros de CoCos e ainda conseguir melhorar a sua capitalização”, referem os mesmos analistas.

O seu rácio de capital CET1 melhora de 9,5% para 11,4%, ajustado ao aumento de capital e pagamento dos CoCos, no terceiro trimestre de 2016.

“A melhoria no rácio de capital faz subir o BCP para um nível de empresa respeitável”, dizem, comparando com o BNP e a Société Generale, que têm rácios em redor dos 11,4% tal como o BCP.

Ainda assim, o BCP permanece abaixo da média de 13,25% dos bancos europeus analisados pela CreditSights.