Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Vila Galé vai abrir cinco novos hotéis em Portugal em 2018

Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo hoteleiro Vila Galé

Paulo Alexandrino

A Sintra, Elvas, Braga, Porto e Serra da Estrela junta-se mais um hotel no Brasil, num investimento total de €80 milhões do grupo hoteleiro português

Para a Vila Galé, que fechou 2016 em Portugal com um crescimento de receitas de 15%, para um total de 93 milhões de euros, o ano que terminou foi "muito simpático", segundo Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo hoteleiro.

"Claro que continua a faltar crescimento, investimento, e um plano estratégico neste sentido, mas o país aliviou e o Governo tem tido uma ação surpreendente, destacando-se o programa Revive (para concessões turísticas em edifícios públicos ao abandono com valor histórico), que é muito louvável ao pôr os privados a recuperar património historico e mais que isso, a criar um negócio", salienta Jorge Rebelo de Almeida, enfatizando o "contributo que todos podemos dar para valorizar o interior do país".

Aproveitar a boa onda do turismo para 'puxar' pelo interior

A Vila Galé foi o primeiro grupo turístico a 'chegar-se à frente' ganhando o primeiro concurso público lançado no âmbito do programa Revive (em que foi o único concorrente), pelo qual vai avançar com um hotel no antigo Convento de São Paulo, em Elvas. "Tendo em conta que Elvas é uma cidade-baluarte, o tema deste hotel serão as fortificações militares portuguesas por esse mundo fora, que muitos de nós nem sequer conhecemos", adianta o presidente da Vila Galé. "Não sei se este hotel vai conseguir 'fechar a conta' em termos de rentabilidade, pois Elvas ainda não é um destino", mas representa um contributo do grupo no sentido de 'puxar' pelo interior.

"Esta onda toda que vivemos de dois anos com uma balança de turismo muito positiva é para ser aproveitada, quer da parte pública quer da privada, sobretudo para divulgar este nosso interior", defende o presidente da Vila Galé.

O Convento de São Paulo em Elvas é um dos cinco hotéis que o grupo Vila Galé tem na calha para abrir em 2018 - o que também inclui novas unidades no Porto (zona da Ribeira), Braga, Serra da Estrela (junto ao Vale Glaciar em Manteigas) e também Sintra.

No nordeste do Brasil, o grupo português também prepara para 2018 a abertura de um novo resort em Touros, além de estar a avançar com a ampliação do seu resort em Cumbuco. O investimento nos novos hotéis programados para 2018 irá totalizar €80 milhões.

"Muitos dos novos hotéis em Lisboa não vão ser rentáveis"

No caso do novo hotel Vila Galé em Sintra, a obra já foi iniciada (num terreno entre a Várzea de Sintra e Nafarros), prevendo-se um investimento total de 25 milhões de euros. "É o projeto do grupo que andou mais tempo 'enrolado', ainda vem do tempo em que Edite Estrela era presidente da câmara em Sintra, e vai finalmente avançar", faz notar Rebelo de Almeida, avançando que o hotel em Sintra irá ter uma forte componente na "alimentação saudável e de baixo valor calórico" nos seus dois restaurantes, o que se estenderá à componente de Spa e massagens, que vai ter uma especialização em tratamentos 'anti-stress' e de combate ao envelhecimento, contando ainda com médicos dentistas e dermatologistas. "São coisas que se podem perfeitamente fazer num hotel e num ambiente de boa disposição, sem aquela imagem negativa associada ao mundo hospitalar", salienta o presidente do grupo.

Desenvolver o interior do país é uma das bandeiras de Jorge Rebelo de Almeida, que neste campo defende que se deviam criar roteiros turísticos associados a comboios históricos, percorrendo diversas regiões do país.

Relativamente aos novos hotéis, e sobretudo no caso de Lisboa, o presidente da Vila Galé considera que "está tudo a ficar a preços tão elevados, mesmo para o alojamento local, que pelas minhas contas não são investimentos rentáveis", conclui. "Em muitos destes hotéis, a conta não vai fechar, com estes preços tão inflacionados, e alguém vai ter de pegar nestes ativos no ciclo seguinte".