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Fundo de Aprígio gera perdas à banca de €55 milhões

O fundo imobiliário Vega detém as jóias da coroa do universo da Imoholding, como herdades em Alqueva e no Algarve, de Aprígio Santos

O fundo imobiliário Vega, que recebeu os ativos da Imoholding, de Aprígio Santos, no acerto de contas com a banca, regista uma desvalorização da ordem dos 55 milhões de euros, um ano depois da sua constituição.

O fundo recebeu os principais ativos turísticos e residenciais de Aprígio para pagar dívidas à banca (BCP, Parvalorem e Montepio lideram) da ordem dos 200 milhões de euros, cabendo à sociedade gestora desenvolver os projetos e encontrar promotores para cada um deles. O fundo foi a peça central no plano de viabilização que os credores aprovaram.

Tendo em conta a última atualização de valor da partticipação da Caixa Geral de Depósitos, as perdas potenciais da banca são de 28% – a participação inicial da CGD de 45 milhões de euros vale agora 31,3 milhões. O BCP é o principal lesado e ignorou o pedido do Expresso para revelar as imparidades que regista no balanço.

A Dunas Capital, a sociedade gestora do fundo, respondeu que o tema da avaliação "é uma informação não pública, partilhada apenas com os subscritores por se tratar de um fundo fechado".

O universo empresarial de Aprígio afundou-se com dívidas de 600 milhões de euros, aplicados na época de euforia em terrenos, edifícios, herdades e projetos que a nova ordem imobiliária desvalorizou. A Imoholding operava em cinco áreas de negócio e, no apogeu, acumulou sete milhões de metros quadrados de solo e uma capacidade de edificação de 550 mil metros quadrados em todo o país.

Alqueva e Algarve

O fundo Vega recebeu a melhor camada de ativos, incorporando as "joias da coroa" com elevado potencial económico por se localizarem em zonas turísticas consolidadas (Algarve) ou promoverem novos polos de atração turística (Alqueva).

Na frente residencial, a carteira do fundo conta com apartamentos, lojas, escritórios, estacionamento e loteamentos para moradias em Aveiro, Gaia e Figueira da Foz. Os principais imóveis são os edifícios habitacionais Terminal do Metro, em Gaia ( 79 apartamentos e oito espaços comerciais) , o Edifício Aveiro, no centro da cidade, com 16 pisos e 52 apartamentos e a urbanização Santa Maria (Figueira), com vários blocos habitacionais.

Mas, são as herdades e quintas na zona sul do país que configuram os ativos mais apetitosos. Na margem do Alqueva, fica o projeto já licenciado do Vila Lago Monsaraz, Golf & Nautical Resort. Os 415 hectares das herdades de Gagos e Xerez, estão destinadas a uma mega-urbanização com aldeamenos turísticos, hotéis, campo de golfe, porto de recreio e áreas de comércio e serviços. Quando Aprígio apresentou a operação, citou como referência o investimento de 170 milhões de euros.

Turismo em espaço rural

Em Beja, encontra-se a herdade da Cata, um projeto em andamento de turismo em espaço rural (630 hectares), com uma componente florestal, de exploração agro-pecuária e duas barragens.

Outras operações urbanísticas de vocação turística e imobiliária estão em fase de planeamento ou licenciamento. É o caso da herdade do Morgado do Arge, em Portimão, na margem do rio Arade que se estende por mais de 1000 hectares. A primeira versão apontava para uma área de construção de 460 mil metros quadrados e 7500 camas.

A quinta da Rocha, na ria do Alvor (250 hectares) conta com um conjunto de prédios urbanos e ponto de amarração de barcos de recreio. É a maior herdade do Barlavento algarvio e beneficia de um ambiente paisagístico e morfológico deslumbrante, situando-se numa zona protegida e sensível. A quinta esteve na base de uma condenação de Aprígio de natureza ambiental . O empresário comprara a quinta em 2006, a Joe Berardo.

Ainda no Algarve, o fundo Vega lida com uma urbanização em Almancil e ficou com o Hotel Globo (Portimão) , em exploração.

São bens preciosos que justificavam o otimismo de Aprígio quando garantiu, no momento em que invocou a proteção judicial dos credores, que "somos um grupo com bons ativos e ninguém vai pagar as dívidas por mim".

E a Naval 1.º de Maio?

No futebol, Aprígio celebrizou-se como presidente da Naval 1.º de Maio, levando o centenário clube da Figueira a competir seis épocas na liga principal

E como está a Naval? Esbraceja para sobreviver, definhando no último lugar, sem vitórias (dois pontos) na série E do terceiro escalão do futebol (Campeonato de Portugal).

Em 17 jogos sofreu 73 golos. Na jornada deste domingo sofreu mais uma goleada (5-0) no campo do Carapinheirense.