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Cautela marca início da era Trump nos mercados

Comprar no rumor, vender no facto. O lema cumpre-se. O tom é de cautela nos mercados, à medida que os investidores entram na era de Trump. Medidas anunciadas já eram esperadas. Lisboa entre as Bolsas com maiores perdas

Os investidores estão cautelosos após a tomada de posse do novo presidente nos Estados Unidos, o que levou as bolsas e o dólar a descer esta segunda-feira, com a praça portuguesa entre as que registaram as maiores perdas.

O índice Stoxx Europe 600 recuou 0,43% e, em Lisboa, o PSI-20 perdeu 0,9%.

Nos EUA, o índice S&P 500 desceu 0,3, o Nasdaq cai 0,44% e o Dow Jones desliza 0,36% (17H50).

As medidas proteccionistas anunciadas por Donald Trump já eram esperadas pelos investidores e estavam incorporadas nos preços dos ativos.

Contudo, a incerteza pesa no sentimento. E alguns analistas temem também que sejam exageradas as expectativas optimistas em relação ao efeito na economia das medidas da nova administração norte-americana.

“A grande questão é que as classes de activos ajustaram rapidamente depois das eleições às expectativas mais positivas em torno da administração Trump, o que dificulta novos movimentos impulsivos”, diz Steven Santos, gestor do BiG.

“Por exemplo, Trump anunciou hoje que irá cortar impostos massivamente, acrescentando que acredita que pode reduzir a regulamentação actual em 75%. Porém, como o tema da desregulamentação já estava amplamente descontado, os sectores que mais beneficiam, como o financeiro, não estão a subir”, explica.

Os mercados mantiveram assim o tom cauteloso que se verificava desde o discurso de inauguração na sexta-feira.

O índice do dólar recuou esta segunda-feira para o mínimo de sete semanas. Já os títulos de dívida soberana dos EUA, o iene e o ouro subiram ligeiramente.

Lisboa esteve entre as praças mais penalizadas. A EDP desvalorizou 2,16% para 2,72 euros. A Jerónimo Martins também fechou em queda, a perder 1,57%, tal como a Galp Energia, que perdeu 1,21%. As ações do Millennium bcp desvalorizaram 0,44% para 0,1548 euros.

Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos recuaram para 3,793%, segundo dados da Bloomberg.