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BCP tem créditos de €100 milhões no futebol

JOSÉ COELHO / Lusa

A carteira de créditos descartáveis soma 9,6 mil milhões de euros. O banco emprestou 2,3 mil milhões para clientes investirem em ações

O BCP tem créditos de 100 milhões de euros aplicados no negócio do futebol. O valor dos empréstimos tem vindo a reduzir e beneficia de garantias reais, de acordo com o prospeto de aumento de capital do BCP. O banco é um parceiro histórico de FC Porto e Sporting – o Benfica lida essencialmente com Novo Banco (ex-BES) e Caixa Geral de Depósitos.

O financiamento aos clubes de futebol pertence a uma carteira especial que o BCP autonomizou, englobando créditos descartáveis por se referirem a segmentos que o banco quer abandonar, sem que tal classificação signifique que se trata de ativos tóxicos.

Portefólio Não Core

Os empréstimos à compra de ações figura no mesmo núcleo, designado PNNC - Portefólio de Negócios Não Core. Uma originalidade ditada por Bruzelas para aprovar a ajuda do Estado. O banco comprometia-se a desmobilizar progressivamente a exposição, cessando a atribuição de novos créditos.

Neste PNNC, o futebol é um negócio com menor peso, quase irrelevante. No fim de setembro de 2016, os créditos deste núcleo valiam 9,6 mil milhões de euros, um valor que corrigido das imparidades reconhecidas se encontra nos 8,3 mil milhões. Diz o BCP que 74% desta carteira beneficia de garantias reais – 70% com garantia de bens imóveis e 4% com ouros ativos.

2,3 mil milhões de euros para comprar ações

E como se repartem estes empréstimos? A parcela destinada a financiar a compra de títulos é das mais relevantes (2,3 mil milhões de euros). Mas, a maior dose (3,1 mil milhões) refere-se a "crédito colaterizado com outros ativos em que o rácio da dívida sobre o ativo não é superior a 90%".

As outras parcelas são: 2,6 mil milhões aplicados na promoção imobiliária, 1,1 mil milhões a crédito à habitação bonificado histórico e 400 milhões a construtoras portuguesas.

O tratamento autónomo desta carteira resulta apenas "da necessidade de proceder à identificação e monitorização segregada", no âmbito da autorização de Bruxelas à ajuda do Estado e não se baseia "em classes de risco ou critérios de desempenho", diz o BCP.

Nos primeiros nove meses de 2016 o núcleo PNNC registou perdas de 250 milhões de euros, que somadas às acumulados do triénio 2013/2015 eleva a fatiura para perto dos 1000 milhões. A carteira de crédito do BCP é de 48,8 mil milhões.