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Santos Ferreira garante não ter sido pressionado para atribuir crédito na CGD

Carlos Santos Ferreira

Alberto Frias

Carlos Santos Ferreira, que liderou o banco público entre 2005 e 2007, assegurou no Parlamento que nunca sentiu pressão do Governo de José Sócrates para privilegiar determinadas empresas na concessão de crédito

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

"Não, nunca senti pressão, nunca o senhor ministro das Finanças me transmitiu qualquer caso de crédito que devesse ser concedido". Foi desta forma que o antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Carlos Santos Ferreira respondeu esta quinta-feira sobre se sentiu pressão do Estado para dar crédito a esta ou aquela empresa.

"Não havia nenhuma estratégia delineada pelo acionista, o que se passou era a necessidade do reforço dos gabinetes de empresa. Mas partíamos muito atrás na competição com o BCP e com o BES. Havia uma ideia clara de que devia haver apoio às empresas exportadoras e que se queriam implantar no estrangeiro, mas não havia muito mais do que isto", esclareceu Carlos Santos Ferreira.

Santos Ferreira, que liderou a CGD entre 2005 e 2007, notou na comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão do banco estatal que os problemas da concessão de crédito estão refletidos nas imparidades registadas pela Caixa, cujo volume "é consistente com as imparidades do sector".

O antigo presidente da CGD desvalorizou as perdas que o banco sofreu com créditos concedidos no seu mandato, alegando que essas imparidades são muito similares às resultantes da concessão de crédito nas administrações seguintes da CGD (de 2008 a 2010 e de 2011 a 2013).

Carlos Santos Ferreira foi também questionado sobre se sob a sua presidência a CGD deu crédito às empresas Vale do Lobo, Pescanova, Autoestrada do Douro Litoral, Grupo Lena e Grupo Espírito Santo. O antigo presidente disse não ter consigo dados que permitissem responder à questão.

No início da audição parlamentar Carlos Santos Ferreira também foi confrontado com as circunstâncias da sua nomeação para a CGD. O banqueiro esclareceu que foi convidado no final de julho de 2005 e foi eleito em assembleia geral a 4 de agosto. "Nunca falei com o primeiro-ministro [José Sócrates] antes de ser convidado pelo professor Teixeira dos Santos", assegurou Santos Ferreira.

O antigo líder da CGD sublinhou ainda que "claramente" foi convidado para a CGD sem pressão de nenhuma outra personalidade, incluindo José Sócrates.