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Santos Ferreira diz que Banco de Portugal conhecia bem o que se passava nos bancos

Luis Barra

O antigo presidente da CGD desconhece operações de crédito fora das regras do banco. E garante que depois da crise até o supervisor da banca sabia mais da atividade dos bancos do que os seus conselhos de administração

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Carlos Santos Ferreira, que foi presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2005 e 2007, afirmou esta quinta-feira no Parlamento que depois da crise financeira o Banco de Portugal (BdP) passou a conhecer melhor os bancos nacionais do que as próprias administrações dessas instituições financeiras.

"Pelo menos a partir da crise o Banco de Portugal passou a ter uma supervisão intrusiva. A partir de um certo momento o BdP passou a ter equipas sedeadas nos vários bancos. Progressivamente sabiam mais do que se passava nos bancos do que os próprios conselhos de administração", contou Carlos Santos Ferreira na comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão da CGD.

A afirmação foi feita em resposta a uma questão do deputado socialista João Galamba sobre o papel do supervisor do sistema financeiro em casos em que as regras de concessão de crédito não são respeitadas.

Relativamente à CGD, Carlos Santos Ferreira disse desconhecer operações fora das regras. "Eu nunca tive conhecimento de uma operação que não seguisse as formas estabelecidas. Se ela existiu significa que há uma falha global do sistema, de quem devia ter participado, da auditoria que não detetou. Espero que isso nunca tenha acontecido", declarou o antigo presidente da CGD.

Sobre as imparidades nos bancos, Santos Ferreira acrescentou que se trata de um problema natural na atividade bancária. "Sobre as imparidades? Essa é das poucas certezas que há na atividade bancária", notou.