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Reino Unido defende globalização em Davos

A primeira-ministra britânica defendeu no Fórum Económico Mundial que “por instinto” o país é uma grande nação do comércio global

Jorge Nascimento Rodrigues

“Somos, por instinto, uma grande nação do comércio global”, disse a primeira-ministra Theresa May esta quinta-feira de manhã no Fórum Económico Mundial que está a decorrer até amanhã em Davos, uma pequena cidade alpina suíça. “Estaremos numa posição para agir neste papel global”, acrescentou a líder britânica que iniciará negociações ainda este primeiro semestre para a concretização da saída do Reino Unido da União Europeia.

“A Grã-Bretanha é e sempre estará aberta para os negócios”, disse May, que reforçou que o país é “a favor dos mercados livres, do comércio livre e da globalização”. "Pela sua história e pela sua cultura, é profundamente internacionalista", frisou. Mas acrescentou que é preciso tomar em consideração as preocupações da gente comum. “Isso é absolutamente crucial se pretendemos manter o apoio público”, acrescentou. Para isso, “acho que este desafio exige uma nova abordagem por parte dos governos… e das empresas, também”. Apontou o dedo a muitas multinacionais que se guiam por regras “muito diferentes daquelas que se aplicam às pessoas comuns que trabalham”.

Ambrose Evans-Pritchard, o enviado do diário britânico “The Telegraph” a Davos, captou o ambiente ‘misto’ de reação na audiência. Uma participante alemã acusou May de “arrogância” e de julgar “que estamos a regressar a 1945”. Uma participante chinesa comentou logo: “Gostei do discurso”.

Depois de, na abertura do Fórum, na terça-feira, o presidente chinês ter surpreendido a audiência em Davos com uma defesa da globalização, posicionando a China como a atual campeã do comércio livre, o Reino Unido, ex-líder mundial durante dois longos ciclos geopolíticos desde o século XVIII até à Segunda Guerra Mundial, quer apostar num papel ativo no novo quadro de globalização que se afigura.

Com os Estados Unidos a promoverem uma retórica protecionista e a União Europeia sofrendo um enfraquecimento por via do próprio Brexit e da instabilidade política interna crescente na zona euro, Theresa May quer aproveitar a oportunidade, para sem constrangimentos de Bruxelas, voltar a colocar o país no mapa das grandes potências.

China, por estratégia, e Reino Unido, “por instinto”, querem ser globalistas no novo quadro mundial saído do impacto das eleições norte-americanas.

  • Pela primeira vez no Forum de Davos, um presidente chinês critica o protecionismo, diz que ninguém ganhará uma guerra comercial e que a economia global é um “oceano” do qual não se pode fugir