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BCE mantém programa de compra de dívida até dezembro

Apesar da forte pressão, sobretudo alemã, para que a equipa de Mario Draghi desse sinais de "aperto" da política monetária, a primeira reunião do ano do Banco Central Europeu deixou tudo na mesma

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter o quadro de política monetária que aprovou em dezembro passado, apesar das múltiplas pressões desde então, sobretudo do ministro das Finanças alemão e do presidente do Bundesbank, o banco central germânico.

Na primeira reunião do novo ano, a equipa chefiada por Mario Draghi decidiu manter o quadro de taxas de juro e as decisões de dezembro passado para um prolongamento do programa de compra de ativos até final de 2017 com os ritmos de compras mensais então definidos.

O comunicado publicado esta quinta-feira não deixa margens para dúvidas, mas a atenção dos analistas vira-se, agora, para a conferência de imprensa que Draghi realizará em Frankfurt pelas 13h30 (hora de Portugal).

As taxas mantêm-se nos níveis históricos mais baixos. A taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento mantem-se em 0%, a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,25% e a remuneração dos depósitos na taxa negativa de -0,4%. O Conselho do BCE reafirma que continua a achar que este quadro de taxas de juro diretoras vai permanecer “nos níveis atuais ou em níveis inferiores por um período alargado, e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos”.

No que respeita às medidas de política monetária não convencionais, a reunião confirma que o BCE continuará a efetuar aquisições ao abrigo do programa de compra de ativos ao atual ritmo mensal de €80 mil milhões até ao final de março de 2017 e que, a partir de abril, as compras líquidas de ativos prosseguirão a um ritmo mensal, mais baixo, de €60 mil milhões até ao final de dezembro de 2017, ou “até mais tarde, se necessário, e, em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, compatível com o seu objetivo para a inflação [abaixo, mas próximo de 2%]”.

A equipa de Draghi acrescenta inclusive o que já afirmou na reunião de dezembro: “Se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis, ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para aumentar o volume e/ou a duração do programa”.

  • O BCE continua a adiar discussão de descontinuação da política de aquisição de dívida pública ou de aumento das suas taxas de juro. Às pressões alemãs, Mario Draghi respondeu esta quinta-feira em conferência de imprensa que a inflação no conjunto da zona euro ainda "não é convincente" e que os "riscos globais predominam"