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Ulrich: Estado 'só' gastou no máximo €6,4 mil milhões com a banca em 16 anos

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, defende que "o Estado protegeu os contribuintes", para concluir que quem mais perdeu "foram os bancos e os seus acionistas: €35 mil milhões em capital".

Fernando Ulrich, tirou esta quarta-feira duas conclusões sobre o estado da banca em Portugal nos últimos 16 anos (2001 a 17 de janeiro de 2017): "Houve uma destruição verdadeiramente brutal de capital na banca", e ao contrário do que se diz, "o esforço suportado pelo Estado e pelos contribuintes foi muito baixo quando comparado com o dos acionistas. O Estado protegeu bem o interesse dos contribuintes".

E socorre-se das contas feitas pelo banco a que preside: entre 2001 e 2017 a destruição de capital na banca "é brutal".

Exemplifica, apontando a história de cinco bancos do sistema - CGD, BCP, BES/Novo Banco, Banif e BPN. Estes bancos, diz, "destruíram €35 mil milhões em capital injetado pelos seus acionistas" em 16 anos. Ou seja, "o equivalente a 19% do do Produto Interno Bruto (PIB) de 2016."

Isto para concluir que, afinal, o Estado "protegeu bem os contribuintes" e, ao contrário do que se diz, perdeu nestes bancos muito menos do que os acionistas perderam durante o mesmo período. "Até agora o esforço efetivamente suportado pelo Estado e pelos contribuintes foi muito baixo quando comparado com o dos acionistas e o que foi suportado pelos outros países", afirma Ulrich.

Segundo as contas feitas pelo BPI, as perdas com estes bancos pode variar entre os €4,4 mil milhões e os €6,4 mil milhões, ou seja, o equivalente a 2,4% a 3,5% do PIB, respetivamente. Isto porque, com base nas contas feitas pelo BPI, as perdas com o BPN atingiram €5441 milhões, as perdas do Banif ascenderam a €2591 milhões e o valor dos resultados retidos pela CGD no período em análise chegou aos €2369 milhões. Todas estas parcelas somam €10.401 milhões.

Considerando, como faz o BPI, que as perdas de resultados na Caixa são recuperáveis, a soma do BPN e Banif até agora atinge €8032 milhões.

Nos ganhos do Estado estão contabililizados €3969 milhões, correspondentes a €820 milhões do pagamento de juros das obrigações convertíveis em capital, os CoCos, €23 milhões de juros do empréstimo ao Fundo de Resolução, €643 milhões com as comissões conbradas por garantias estatais em 2008 e €2483 milhões de dividendos atribuídos pela Caixa.

Se aos €10.401 milhões se subtrair os €3969 milhões de ganhos do Estado, as perdas ascendem a €6,4 mil milhões. Mas se tivermos em conta os €8032 milhões, então as perdas do Estado serão inferiores, de €4,4 mil milhões. Um número manifestamente pequeno face aos €35 mil milhões destruídos em capital pela banca e suportados pelos seus acionistas.

É a partir deste universo que Fernando Ulrich contesta a ideia de que "os custos dos bancos têm sido suportados pelos contribuintes. É mentira".

Assim como faz questão de dizer que "o Estado hoje tem mais espaço de manobra para fazer mais coisas", do que "tinha há alguns anos". E justifica dizendo que o Estado deixou de ter risco face aos bancos a quem emprestou dinheiro em 2012, os chamdos CoCos, porque "estão pagos e o Estado ganhou dinheiro com os bancos por via destes empréstimos".

No final das contas do BPI, Ulrich conclui que o BPI deu a ganhar €167 milhões de juros dos Cocos pagos aos Estado.