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Portugal volta a emitir dívida pública com juros negativos

Tiago Miranda

O IGCP colocou no mercado 1750 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a seis e a 12 meses, pelos quais os investidores vão pagar juros ao Estado, em vez de os receber

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O Estado português colocou esta manhã no mercado 1,75 mil milhões de euros de dívida de curto prazo com juros negativos, através de duas emissões de Bilhetes do Tesouro.

Na emissão de títulos a seis meses o Estado captou 350 milhões de euros, com os investidores a pagar ao IGCP (a agência de gestão da dívida pública) um juro de 0,091%, acima da taxa de 0,031% registada em novembro. A procura atingiu 3,5 vezes o montante emitido.

Numa outra emissão de títulos a 12 meses o IGCP colocou no mercado 1,4 mil milhões de euros, com um juro negativo de 0,047%. A 16 de novembro o Estado tinha conseguido um juro negativo de 0,007%. Os investidores apresentaram ordens de compra equivalentes a 1,5 vezes o montante colocado pelo Estado.

O diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva, comentou os leilões, afirmando que os resultados “são francamente positivos”.

“Além de termos tido taxas negativas nas duas emissões, o montante colocado acabou por ser até um pouco superior ao previsto pelo Estado, que previa endividar-se entre 1250 a 1500 milhões de euros, e acabou por recolher do mercado 1750 milhões de euros”, sublinhou Filipe Silva.

“Quanto às taxas, negativas e mais baixas do que nos últimos leilões de BT para estas maturidades, tal é resultado da descida de taxas desde a semana passada em toda a dívida soberana europeia. A taxa das dívidas soberanas a 10 anos, por toda a Europa, teve um certo alívio e isso acabou por influenciar a emissão de hoje”, acrescentou o responsável do Banco Carregosa.