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Plano de capitalização da Caixa no Governo de Passos Coelho era “irrealista”, diz Centeno

MÁRIO CRUZ / Lusa

O ministro das Finanças defendeu esta quarta-feira que o plano de capitalização da Caixa da administração de José de Matos, durante o Governo de Passos Coelho, "era totalmente irrealista" e que os níveis de capitalização eram "muito baixos" o que prejudicava o banco público face à concorrência

"A Caixa e seu acionista habituaram-se durante muito tempo a viver nos limites do capital necessário e isso limitou a sua atuação", sublinhou Mário Centeno, durante a sua intervenção esta quarta-feira na Comissão de Orçamento e Finanças, onde está a ser ouvido sobre a capitalização do banco público. O ministro das Finança defendeu que durante os anos de governação de Passos Coelho, a Caixa viveu com níveis de capital muito baixos, o que a penalizava a sua capacidade de levantar dinheiro no mercado e a fragilizava face à concorrência. Durante a gestão de José de Matos, no Governo de Passos Coelho, a Caixa beneficiou de uma injeção de capital de 1,650 mil milhões de euros, dos quais 900 milhões em obrigações convertíveis, os chamados CoCos.

"Nunca nas minhas intervenções referi a palavra buraco (relativamente às contas da Caixa). O que eu disse aqui foi que havia um desvio e que existia um plano de negócios que era totalmente irrealista. A Caixa viveu durante muitos anos com níveis de capitalização muito baixos, o que não chegava para cumprir os rácios" de forma adequada, afimou o ministro das Finanças, depois de interrogado pelo deputado do PSD, António Leitão Amaro, sobre as elevadas necessidades de capital do banco. A Caixa vai ser alvo de um processo de recapitalização no montante de 5,060 mil milhões de euros. Já foi noticiado que os prejuízos da Caixa poderão ascender aos 3 milhões de euros em 2016.

O deputado do CDS, João Almeida, contesta a afirmação de que o plano de capitalização anterior era irrealista, e provoca o ministro das Finanças a propósito de este ter dito que os níveis de capitais eram demasiado baixos, sublinhando que a responsabilidade também era do Banco de Portugal, onde estava então Mário Centeno.

O deputado do PSD, António Leitão Amaro, ironizou depois: "Foram socorrerer-se de um membro do anterior Governo" para liderar a Caixa. O deputado referia-se à escolha de Paulo Macedo para a presidência do banco público, e cujo nome o Banco Central Europeu já terá aprovado, segundo noticiou o Público. Mário Centeno adiantou que a administração da Caixa tomará posse nos próximos dias.

Antes, Leitão Amaro tinha dito antes que o Governo de António Costa "tinha decapitado" a administração do banco público por duas vezes. "Desculpe, dizer-lhe, mas não percebe nada de banca", respondeu Centeno para Leitão Amaro.