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China quer ser campeã da globalização

Pela primeira vez no Forum de Davos, um presidente chinês critica o protecionismo, diz que ninguém ganhará uma guerra comercial e que a economia global é um “oceano” do qual não se pode fugir

Jorge Nascimento Rodrigues

“Ninguém sairá vencedor de uma guerra comercial”, foi uma afirmação de Xi Jinping, o presidente da China, que recebeu uma enorme salva de palmas esta terça-feira durante a sua intervenção no World Economic Forum em Davos, na Suíça. “Defender o protecionismo é como fechar-se num quarto escuro. O vento e a chuva certamente ficarão lá fora, mas também a luz e o ar”, acrescentou. Xi falou em chinês, mas o seu discurso estava a ser traduzido em simultâneo. “Goste-se ou não, a economia mundial é como um grande oceano do qual não se pode escapar”, referiu.

Continuando a utilizar metáforas, o presidente chinês argumentou que “qualquer tentativa de cortar os fluxos de capital, bens e pessoas entre as economias é como querer canalizar as águas do oceano de volta para lagos e riachos isolados, e isso simplesmente não é possível”.

É a primeira vez que um presidente da segunda maior economia do mundo se desloca ao encontro de Davos e num contexto é que é a figura internacional mais importante que rapidamente concentrou as atenções.

A ausência de Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos, que toma posse esta semana, ou de outros líderes máximos do grupo do G7 (à exceção da primeira-ministra Theresa May que está prevista) ou dos BRIC, transformou a presença do presidente chinês no evento-chave da abertura dos debates em Davos. Xi está em visita oficial à Suíça até quarta-feira.

Dos EUA estarão presentes o vice-presidente Joe Biden e o secretário de Estado John Kerry da Administração cessante e, ainda, um assessor de Trump, Anthony Sacaramucci, fundador do SkyBridge Capital, um fundo de alto risco, que costuma participar nestes encontros.

Por mais paradoxal que pareça, a defesa da globalização é, agora, feita pela China face a uma vaga de retórica em prol do protecionismo nas principais economias desenvolvidas, a começar pelas declarações do presidente-eleito para a maior economia do mundo.

O presidente chinês criticou os que responsabilizam a globalização por todos os males do mundo. Afirmou que o colapso financeiro de 2008 foi provocado por falhas de regulação e pela procura de lucro. Disse, ainda, que a vaga de refugiados do Médio Oriente e de África não foi gerada pela abertura de mercados, mas por guerras e conflitos regionais.

Acabou o discurso, de quase uma hora, apelando aos líderes mundiais para se manterem fieis à globalização.

Quanto à China disse que Pequim manterá a “porta aberta” da sua economia e que não iniciará uma guerra cambial.

Xi aproveitou, também, a ocasião para colocar o seu país como uma das grandes potências defensoras do acordo climático de Paris em dezembro passado.

O presidente chinês afirmou que o “problema fundamental” da economia global é “a falta de uma força diretora para o crescimento”. Insistiu que é preciso prosseguir na inovação para gerar crescimento.