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Tendência de subida dos juros da dívida na zona euro consolida-se na 1ª quinzena

Bélgica, França e Irlanda destacaram-se no movimento altista dos juros das obrigações dos membros do euro na primeira metade de janeiro. Juros estão, agora, muito longe dos mínimos históricos registados na zona euro. Portugal tem uma nova referência a 10 anos em que o juro registado na operação de sindicação foi superior a 4,2%

Jorge Nascimento Rodrigues

A primeira quinzena de janeiro confirma a tendência de subida no mercado secundário do custo da dívida soberana dos membros do euro, um movimento altista que já se vinha registando desde os mínimos históricos registados entre julho e setembro do ano passado para muitos países.

Segundo dados da Investing.com, para a referência a 10 anos, Irlanda, Bélgica, França e Finlândia registaram as maiores subidas das yields durante a primeira quinzena de janeiro, com aumentos acima de 10 pontos base.

A linha de Obrigações do Tesouro(OT) português ainda usada como referência a 10 anos é a que vence em 2026, e não a nova linha lançada por uma operação sindicada na semana passada e que vence em 2027. Deste modo, as yields da dívida portuguesa a 10 anos, que ainda são tomadas como referência, por exemplo pela Bloomberg, não refletem subidas no mercado secundário acima ou abaixo do juro de 4,227% pago na operação sindicada da nova linha a vencer em 2027.

Na dívida portuguesa que vence em 2026, a subida foi de nove pontos base durante a quinzena, um aumento similar ao de Itália ou da Holanda. Nessa linha que vence em 2026, as yields fecharam esta segunda-feira no mercado secundário em 3,85%.

Para além da tendência geral de subida das yields dos títulos públicos nas economias desenvolvidas, acentuada com o efeito Trump nas expetativas de inflação e com o processo contínuo de reflação na zona euro, o custo da dívida disparou em relação aos mínimos históricos registados.

Esta alteração radical pode ser observada, por exemplo, na referência a 10 anos.

Para a Irlanda, as yields quase triplicaram em relação ao mínimo de 0,33% registado em setembro. No caso de Itália, as yields estão hoje praticamente no dobro do mínimo de 1,05% registado em agosto. Para Espanha, as yields subiram 56 pontos base (mais de meio ponto percentual) desde o mínimo de 0,88% registado em setembro. No caso de Portugal, o mínimo histórico registou-se em março de 2015, mais de ano e meio antes dos pontos de viragem em Espanha, Irlanda e Itália. Atualmente, as yields na linha que vence em 2026 estão mais de 2,3 pontos percentuais acima do mínimo histórico. A trajetória de subida no mercado secundário do custo da dívida portuguesa a 10 anos iniciou-se em meados de março de há dois anos.

Fora dos quatro periféricos referidos, as yields atuais na referência a 10 anos estão também muito acima dos mínimos históricos verificados em 2016. O custo das obrigações alemãs passou de um mínimo negativo de -0,18% em julho do ano passado para 0,32% no fecho desta segunda-feira. Nos casos da Holanda e da Finlândia registaram-se, também, subidas de valores negativos mínimos em setembro do ano passado para respetivamente 0,44% e 0,47% no fecho de hoje. Em relação a mínimos de setembro, as yields subiram 69 pontos base (quase 0,7 pontos percentuais) no caso da Bélgica e mais de 80 pontos base (0,8 pontos percentuais) no caso de França.