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Efeito Trump vai alimentar crescimento mundial, prevê FMI

Economia mundial vai crescer mais este ano e no próximo depois de um ligeiro abrandamento em 2016, segundo a atualização de projeções macroeconómicas pelo FMI publicada esta segunda-feira. As duas grandes economias desenvolvidas com problemas de crescimento são a Itália e o Japão

Jorge Nascimento Rodrigues

O crescimento da economia mundial e do comércio internacional vai ser mais elevado em 2017 e 2018 depois do abrandamento ocorrido em 2016, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicadas esta segunda-feira.

O FMI procedeu hoje à primeira atualização das suas previsões e projeções publicadas em outubro do ano passado aquando da sua assembleia anual. Não mexeu nas projeções globais, mas reviu em alta o crescimento dos Estados Unidos em 2017 e sobretudo em 2018 e o da Zona Euro em 2017.

Entre as sete grandes economias desenvolvidas do mundo - o G7 -, analisadas pelos técnicos do FMI nesta atualização, os EUA são a única que registará, nos dois anos de projeção, um crescimento anual acima da média das economias desenvolvidas.

Depois de uma quebra de uma décima no ritmo de crescimento da economia mundial em 2016, com a taxa a descer de 3,2% no ano anterior para 3,1%, o FMI mantém, sem alteração, as projeções ascendentes de 3,4% este ano e 3,6% no próximo.

Itália e Japão, os mais lentos

Os EUA e a Índia vão crescer mais do que em 2016, a Rússia e o Brasil vão sair da recessão, mas a China, Alemanha, Espanha e Reino Unido vão crescer menos do que no ano passado, a Arábia Saudita vai registar uma desaceleração muito significativa (de 1,4% em 2016 para 0,4% em 2017, sendo o país que sofreu a maior correção em baixa em relação às projeções de outubro passado do FMI) e a Itália e o Japão vão ser os mais fracos nas grandes economias desenvolvidas, com projeções de crescimento anual abaixo de 1%. O México, um dos alvos da retórica protecionista do presidente-eleito dos EUA, sofreu uma revisão anual em baixa de seis décimas para 2017 e 2018.

A desaceleração na Alemanha e em Espanha seria maior se os técnicos do Fundo não tivessem revisto, agora, em alta as projeções para 2017 e 2018: uma décima em cada ano para a Alemanha e uma décima este ano e duas décimas no próximo para Espanha.

Em relação ao Reino Unido, o FMI reviu em alta, em quatro décimas, o crescimento em 2017, e cortou em baixa, em três décimas, o ritmo no ano seguinte. Em relação a projeções anteriores, os técnicos do Fundo parecem apontar, agora, para um impacto desacelerador menor logo no primeiro ano de embate da negociação - o crescimento deverá ser de 1,5% em 2017, quando a projeção anterior apontava para um crescimento de 1,1%, uma desaceleração muito significativa em relação ao crescimento de 2% em 2016. Em 2018, o ritmo abranda para 1,4%, abaixo de 1,7% previsto na projeção de outubro.

Muitos cortes nas projeções dos emergentes

As revisões em baixa das projeções para 2017 estão concentradas em economias emergentes: Arábia Saudita (como já foi referido), México (também já referido), Índia (corte de quatro décimas) e Brasil (corte de três décimas). Na nota, os técnicos referem ainda revisões em baixa para Indonésia e Tailândia.

Em termos de grupos regionais, nas projeções para 2017 e 2018, a América Latina sofre um corte acumulado de cinco décimas e o Médio Oriente e Norte de África uma redução acumulada de quatro décimas.

No comércio internacional, apesar dos riscos crescentes de protecionismo, o Fundo aponta para uma aceleração clara à escala global. De 1,9% em 2016 para o dobro no ritmo anual em 2017 e 4,1% em 2018. Nesta última projeção cortou uma décima em relação ao publicado em outubro passado.

No entanto, a aceleração do comércio mundial de bens e serviços é desigual. Vai crescer mais por parte dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento. Nas economias desenvolvidas, o FMI reviu em baixa o ritmo de crescimento do comércio internacional para 2017 (cortou uma décima) e sobretudo para 2018 (cortou três décimas).

Dinâmicas contrárias nos EUA e na Zona Euro

Apesar da “incerteza” que envolve a política da nova Administração Trump nos EUA e “das suas ramificações globais”, a economia norte-americana deverá crescer 2,3% em 2017 e 2,5% em 2018, projeções mais elevadas do que em outubro. Em particular, em relação ao segundo ano de mandato da Administração Trump, o FMI reviu em alta, em quatro décimas, a projeção para 2018. Muitos analistas consideram que o impacto expansionista da política do novo inquilino da Casa Branca se fará sentir particularmente no segundo ano.

Na zona euro, apesar dos riscos financeiros e do impacto da negociação do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), os técnicos do FMI reviram em alta, em mais uma décima, o crescimento em 2017. No entanto, a trajetória de crescimento é descendente, ao contrário dos EUA. As projeções do Fundo apontam para uma descida do ritmo anual de 1,7% em 2016 para 1,6% nos dois anos seguintes.

O problema na zona euro é que a Alemanha, a maior economia, não deverá crescer mais de 1,5% este ano e no próximo, apesar dessas projeções terem sido revistas em alta, em uma décima, e a Espanha desacelerará de 3,2% em 2015 e 2016 para 2,3% em 2017 e 2,1% em 2018.

O ‘doente’ nas grandes economias da zona euro é manifestamente a Itália, que continuará a crescer anualmente abaixo do limiar de 1%. A taxa de crescimento vai desacelerar ainda mais em 2017, com uma descida de 0,9% em 2016 para 0,7% no ano seguinte, e com uma ligeira aceleração para 0,8% em 2018.

Nova atualização em abril

Como os riscos derivados de algumas intenções de políticas da nova Administração Trump são elevados, como os riscos financeiros em partes da zona euro (crise bancária e sobreendividamento) e em alguns mercados emergentes são evidentes, como as tensões geopolíticas podem aumentar, o FMI publicará novas projeções em abril, quando publicar o World Economic Outlook.

A atualização do FMI esta segunda-feira é publicada antes de serem conhecidos os pacotes de medidas económicas e geopolíticas para os 100 primeiros dias da Administração Trump, que toma posse na próxima sexta-feira (20 de janeiro) e antes do governo britânico clarificar a sua estratégia para o Brexit com o discurso programático da primeira-ministra Theresa May agendado para amanhã (17 de janeiro).