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BP admite aumento das margens, mas nega aumento comercial

Ana Baião

“Só pode ser um lapso matemático” falar-se de aumento da margem comercial do sector petrolífero, afirma o presidente da BP Portugal

O presidente da BP Portugal, Pedro Oliveira, defende que falar de aumento da margem comercial do setor petrolífero “só pode ser um lapso matemático”, apelando ao Governo para dar eco às conclusões da Concorrência “mesmo que não sejam populares”.

Questionado sobre o pedido à Autoridade da Concorrência (AdC) para aferir mudanças na formação do preço dos combustíveis, nomeadamente um aumento da margem comercial, Pedro Oliveira atribui a “um lapso matemático”, considerando que, “provavelmente, o Governo não olhou para os números como devia ter olhado”.

“Estamos tranquilos, venham todos os estudos. Agora, quem depois utiliza as conclusões tem que ter coragem de fazer eco dessas conclusões mesmo que não sejam socialmente populares. Isso é que ninguém fez até hoje”, declarou o presidente da BP Portugal, em entrevista à agência Lusa.

Pedro Oliveira lembrou que a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) - que a BP integra - fez as contas, mostrando que a percentagem das margens aumentou, porque o preço médio de venda ao público desceu entre 2012 e 2016.

Mas, contrapôs, “o valor da AdC - custos de armazenagem, distribuição e comercialização, onde se encontra a margem grossista e retalhista - para a gasolina 95 desceu 2,7 cêntimos/litro e para o gasóleo rodoviário desceu 2,1 cêntimos/litro”.

Para Pedro Oliveira, que desde novembro passou a ser também responsável pela rede da BP em Espanha, “o que é importante é deixarem de utilizar um setor socialmente tão relevante como arma de arremesso político, porque é um setor demasiado sério para poder ser tratado dessa maneira”.

“Só peço é que quem venha olhe para os números de forma pragmática e não tenha medo de chegar a conclusões que não são populares e dar o mesmo eco às conclusões que não são populares como às que são populares”, declarou.

Em relação à extinção da Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC), decidida no parlamento em novembro, Pedro Oliveira considera que se trata de "baralhar e dar de novo".

"Vejo [a extinção da ENMC] com alguma complacência. Quando não se encontram as conclusões que se gostariam de encontrar uma maneira simples de tentar fazer parecer que atuamos é construir, destruir organismos, cortar, distribuir e dar de novo. O mercado de combustíveis tem sido bastante profícuo. Este é mais um movimento de organismos dentro do nosso setor", declarou.

Ainda assim, vê com bons olhos que algumas das competências da ENMC passem para a Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), porque "sempre demonstrou uma enorme competência neste setor".

"Sabemos também que alguma componente regulatória passará para a ERSE [Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos] e tenho enormíssimas e positivas expectativas em relação à ERSE, porque é um organismo de reconhecida competência técnica na área da energia. Sentimo-nos muito confortáveis por passarmos a ser acompanhados pela ERSE", acrescentou.