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Novo Banco proibido de ser 
vendido a pequenos investidores

JOSÉ CARLOS CARVALHO

Dispersão em Bolsa foi inicialmente considerada como hipótese de venda. Mas caiu face à oposição da CMVM e do BCE

O Novo Banco não pôde ser cotado em Bolsa ao retalho. Essa alternativa, que chegou a estar em cima da mesa, foi vetada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e pelo Banco Central Europeu (BCE), sabe o Expresso. Isso impediu que o Banco de Portugal (BdP) pudesse tentar uma venda do Novo Banco junto de pequenos investidores.

Em causa está ainda o BES, banco de que “nasceu” o Novo Banco. A CMVM e o BCE consideraram que o risco reputacional deixado pelo BES junto do mercado de capitais coloca o Novo Banco numa “lista negra”, até porque há ainda indefinição sobre o valor real do Novo Banco, em função de imparidades que ainda tenham de ser assumidas. Recorde-se que os acionistas do BES perderam todo o seu dinheiro no verão de 2014, aquando da resolução do banco. E isso aconteceu depois de um aumento de capital de mil milhões de euros na primavera desse ano que se “evaporaram”. Muitos acionistas disseram então terem sido enganados, depois de terem acreditado na “cerca de segurança” (“ring fencing”) entre o BES e o GES que foi imposta pelo BdP. Quando o aumento de capital foi realizado, os investidores já sabiam que o Grupo Espírito Santo tinha a contabilidade falseada. O que não sabiam é que o “ring fencing” falharia e que os riscos do GES acabariam por contaminar irremediavelmente o BES, que quebrou. E assim as ações do BES passaram a valer... zero.

A dispersão em Bolsa do Novo Banco foi inicialmente considerada como hipótese de venda. Mas caiu depois de CMVM e BCE impedirem a cotação em retalho (isto é, junto de pequenos investidores), permitindo a venda de ações apenas junto de investidores institucionais (que à partida têm maior nível de análise de informação).

Uma venda em Bolsa poderá ocorrer eventualmente mais tarde. Nas propostas apresentadas ao Banco de Portugal para a compra do Novo Banco, está prevista a possibilidade de uma venda no futuro. Nesse caso, se a CMVM e o BCE já entenderem que o “trauma BES” está ultrapassado e que o nível de informação do banco já é seguro, o Novo Banco já poderá ser cotado em Bolsa. Mas isso poderá demorar anos a acontecer.