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DBRS considera aumento de capital do BCP "importante passo" para o banco

O BCP anunciou na segunda-feira um aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros, cuja parte da receita será usada para reembolsar os 700 milhões de euros em 'Cocos' que têm de ser pagos até junho deste ano

A agência de 'rating' DBRS considera o anunciado aumento de capital do BCP um "importante passo" e espera que o banco liderado por Nuno Amado regresse ao lucro em 2017, apesar dos problemas que persistem.

"O anúncio remove a incerteza em torno das perspetivas do BCP para 2017, largamente associadas à capacidade para pagar as obrigações de capital contingente (CoCos) após o banco ter reportado perdas nos primeiros nove meses de 2016 e tendo em conta a fragilidade da posição de capital", afirmou a agência de notação financeira de origem canadiana, numa nota ao mercado.

O BCP anunciou na segunda-feira um aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros, cuja parte da receita será usada para reembolsar os 700 milhões de euros em 'Cocos' que têm de ser pagos até junho deste ano, devendo o restante servir para deixar a instituição com rácios de capital confortáveis.

Já é conhecido que o acionista chinês Fosun quer aproveitar para ficar com 30% do BCP, face aos 16,7% que detém, sendo que a angolana Sonangol tem também autorização para aumentar a sua participação no capital do banco para aproximadamente 30%, mas não se sabe se vai exercer essa opção.

Segundo a DBRS, o BCP quer aumentar os seus rácios de capital (indicadores de solvabilidade) para ficar em linha com os seus pares europeus e pagar os ‘Cocos', ficando livre para distribuir dividendos aos seus acionistas, quando voltar a ter lucros.

A agência de 'rating' considera ainda que este aumento de capital mostra o compromisso do banco em "fortalecer o seu balanço, reforçar a sua posição de capital e aumentar a transparência para com os investidores".

Apesar de considerar positiva a operação, a DBRS continua a ver fragilidades no BCP, nomeadamente devido à operação em Portugal.

"Embora considere o reforço do capital juntamente com o reembolso do ‘CoCos' como um passo importante para melhorar a estabilidade financeira global do banco, o BCP continua a gerar perdas em resultado das suas atividades das operações em Portugal", lê-se na nota ao mercado.

O BCP apresentou prejuízos de 251,1 milhões de euros até setembro de 2016, afetados principalmente por provisões significativas para empréstimos problemáticos, algumas das quais foram realizadas para reforçar os níveis de cobertura.

A DBRS mostra-se sobretudo preocupada com os ativos problemáticos em Portugal, mas espera que já este ano o banco apresente lucros, tendo em conta a melhoria da rentabilidade com a redução das entradas de crédito malparado, a normalização da geração de provisões (imparidades para perdas potenciais) e a redução dos custos de financiamento, ainda que devam continuar acima dos seus pares europeus.

"O reembolso integral do ‘Cocos' deverá ter um impacto positivo na margem financeira de cerca de 65 milhões de euros anuais", estima a agência de ‘rating'.

Este aumento de capital contará com um consórcio de bancos internacionais que garantem a operação, liderado pela Goldman Sachs International e pelo J.P. Morgan Securities, e que conta ainda com o Credit Suisse Securities, a Mediobanca e a Merrill Lynch International, sendo o preço de subscrição da oferta fixado em 9,4 cêntimos por ação.

Após a conclusão com sucesso desta oferta e o reembolso integral dos 'CoCos', o rácio de 'common equity tier 1' (CET1) do BCP, de acordo com a implementação total das novas regras europeias, situar-se-á nos 11,4% (em referência a 30 de setembro de 2016).

A DBRS espera que o aumento de capital esteja concluído no prazo de um mês.

As ações do BCP têm estado pressionadas desde o anúncio de aumento de capital seguem hoje, pelas 14:00, a perder 0,65% para 0,84 euros na bolsa de Lisboa.