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DBRS: Nacionalização do Novo Banco pode piorar o rating de Portugal

José Carlos Carvalho

Segundo avança a SIC Notícias, a agência de rating canadiana considera que será muito difícil aprovar um plano de nacionalização do banco

A DBRS considerou que a nacionalização do Novo Banco pode piorar o rating de Portugal. Em declarações à SIC Notícias, esta quinta-feira, a agência de rating canadiana referiu que será muito difícil que Bruxelas e o banco Central Europeu aprovem um plano de nacionalização.

A DBRS é a única agência que coloca Portugal num um rating acima de lixo e admite alterações caso as contas do Estado sejam prejudicadas com a nacionalização.

Ao Expresso, Adriana Alvarado, analista da DBRS para Portugal, já tinha referido que a nacionalização enfrentaria dificuldades já que iria ser necessária luz verde das instâncias europeias.

“O que podemos dizer é que não seria um processo sem dificuldades já que iria necessitar de aprovação da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu", afirmou a analista. “O processo de venda do Novo Banco está em marcha e nós continuamos a monitorizar os desenvolvimentos”, acrescentou, lembrando que “não foi feita nenhuma declaração oficial sobre uma nacionalização do Novo Banco” e que “é prematuro comentar o tema”.

A hipótese de nacionalizar o antigo BES foi colocada em cima da mesa com estrondo na semana passada pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, e está mesmo a ser levada a sério caso as negociações para a venda falharem.

Perante a dúvida sobre se a afirmação de Centeno terá sido apenas para pressionar os compradores ou se já está a negociar com Bruxelas esta solução, as Finanças nada dizem. É que, apesar de ter colocado a nacionalização na ordem do dia, o ministro disse que a venda é a prioridade e a nacionalização uma via de último recurso. E só pode ser, pois uma nacionalização teria de ser negociada com a Comissão Europeia e obrigaria a uma revisão do acordo com a Direção Geral da Concorrência, base do atual processo de venda.

A venda do Novo Banco complicou-se na reta final a partir do momento em que a única proposta vinculativa de compra de 100% do banco, a do fundo de investimento norte-americano Lone Star, exigiu uma garantia do Estado de 2,5 mil milhões de euros para a atividade que está no side bank do antigo BES, que representa os ativos não-bancários do banco, os quais ascendem a 9,7 mil milhões de euros.