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Portugal paga mais de 4% por 3.000 milhões de euros em dívida a 10 anos

As obrigações agora emitidas pelo IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, através de uma operação sindicada, vencem em abril de 2027

Portugal emitiu hoje três mil milhões de euros em dívida a 10 anos, através de sindicato bancário, com um 'spread' de 360 pontos base, o que deverá elevar o custo total da emissão acima dos 4%, segundo a Bloomberg.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, que cita fonte próxima do processo que pediu para não ser identificada, o prémio ('spread') que Portugal está a oferecer são 360 pontos base.

As obrigações agora emitidas pelo IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, através de uma operação sindicada, vencem em abril de 2027.

Tendo em conta que o 'mid-swap' do euro a 10 anos está hoje nos 0,6813%, segundo a Bloomberg, o custo total da emissão deverá rondar os 4,2%, uma vez que àquela taxa de referência tem de se somar o 'spread' que o Estado português está a oferecer, de 360 pontos base.

A taxa 'mid-swap' é usada como referência para calcular o prémio pago pelos compradores de obrigações em relação às taxas do mercado.

Na terça-feira, a Bloomberg tinha já avançado que o Estado português estava a preparar uma emissão sindicada de dívida de longo prazo, com maturidade em 2027, a primeira deste ano.

Para esta emissão, a instituição liderada por Cristina Casalinho mandatou seis bancos: o BBVA, o HSBC, o JP Morgan, o Morgan Stanley, o Novo Banco e o Société Générale.

O IGCP inaugurou assim as emissões de dívida de longo prazo de 2017, ano em que o IGCP prevê arrecadar "um montante entre os 14 a 16 mil milhões de euros", através da emissão bruta de Obrigações do Tesouro, "combinando sindicatos e leilões, assegurando emissões mensais", conforme o programa de financiamento publicado na terça-feira.

Esta emissão surge também na semana em que se espera que a Moody's olhe para a situação da economia portuguesa, podendo eventualmente proceder a alguma revisão da perspetiva do 'rating' atribuído a Portugal (normalmente o passo que antecede uma movimentação da nota atribuída).

De acordo com o calendário indicativo para rever os 'ratings' dos países que acompanha, a Moody's irá analisar a economia portuguesa esta sexta-feira, sendo a primeira agência de notação financeira a fazê-lo este ano.

Atualmente, a Moody's qualifica Portugal com uma nota de 'lixo' (ou não investimento), atribuindo-lhe um 'rating' de Ba1 com perspetiva estável.