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“Os mercados financeiros estão a ignorar os riscos”

Antonio Fatás, Professor do INSEAD

Ana Baião

Os investidores estão a subestimar o risco em Wall Street depois da eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos, refere em entrevista ao Expresso, por correio eletrónico, Antonio Fatás, professor de Estudos Europeus e de Economia no INSEAD, a escola de negócios localizada perto de Paris e em Singapura. Estamos muito longe ainda de um clima de “loucura” como na ‘bolha’ das dot-com no final do século passado, mas devemos estar alerta em 2017. No final do ano passado, no seu blogue, o académico alertou para o sentimento de euforia que se sente, sobretudo nos Estados Unidos, numa altura em que alguma precaução deveria ser necessária. O desempenho dos mercados na Europa continua a estar marcado pelos problemas na zona euro e Fatás chama a atenção para o risco político este ano. O quadro fundamental de fraco crescimento e de situação política interna para Itália e Portugal deverá persistir.

No final de dezembro, o rácio entre o preço das ações no índice norte-americano S&P 500 e os seus resultados, calculado por Robert Shiller e conhecido por CAPE em inglês, estava acima de 28. Não é um múltiplo historicamente muito elevado para Wall Street?

É. Só em 1929 e no final da década de 90 observámos rácios mais elevados.

Entre novembro e dezembro, o CAPE registou uma subida anormalmente elevada olhando para a evolução ao longo do ano. Há uma correlação com a vitória de Trump nas eleições presidenciais dos EUA?

Foi claramente uma reação à sua eleição. Os investidores entenderam o resultado eleitoral como boas notícias do ponto de vista de alguns sectores — como o bancário — e isso está detrás da recente recuperação bolsista.

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